Questionado no Alvorada se vai renunciar, Bolsonaro diz que só sai em janeiro de 2027

Isadora Peron, do Valor

BRASÍLIA - O presidente Jair Bolsonaro afirmou neste domingo que ficará no governo até janeiro de 2027, o que só é possível caso ele seja reeleito, em 2022. A declaração aconteceu depois de ele ser abordado por um homem na porta do Palácio da Alvorada, quando parou para falar com apoiadores.

- Democracia pede a sua renúncia ou impeachment - disse o homem, em meio a vaias de outras pessoas.

- Vou sair dia primeiro de janeiro de (20)27 - respondeu Bolsonaro.

O presidente vem sendo criticado pela sua postura diante da pandemia do novo coronavírus e pelo rumoroso processo de saída de Sergio Moro do Ministério da Justiça. Ele já é alvo de mais de 30 pedidos de impeachment na Câmara.

Bolsonaro também evitou responder se vai sancionar com vetos o projeto aprovado pelo Congresso de ajuda da União aos Estados e municípios. A proposta deixou várias categorias do funcionalismo de fora do congelamento de salários de servidores públicos, proposto pelo governo.

- Sansão é o marido do Dalila- respondeu ao ser questionado por jornalistas.

Bolsonaro também falou dos gastos do cartão corporativo, e minimizou o aumento das despesas. Ele justificou dizendo que teve que enviar quatro aviões à China para resgatar brasileiros que estavam Wuhan, onde foram registrados os primeiros casos do coronavírus.

O presidente deixou o Palácio da Alvorada no início da tarde para visitar o filho número 2, o deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP). Ele e a mulher Heloísa, que está grávida, se mudaram recentemente para uma casa em um condomínio no Jardim Botânico, bairro nobre de Brasília.

Mesmo em um momento em que muitas famílias deixaram de se reunir, por conta do novo coronavírus, o presidente participou de um chá de revelação do sexo do bebê.

Eduardo postou um vídeo no Twitter, no qual aparece estourando um balão com uma arma, de onde saíram bexigas da cor rosa, o que significa que será uma menina.

Ao ser questionado sobre o sexo da futura neta, Bolsonaro disse, rindo, que não iria se manifestar para não criar polêmica.

O presidente não teve compromissos oficiais no fim de semana. No sábado, após cancelar um churrasco com assessores e ministros que ele próprio tinha anunciado, saiu apenas para dar um passeio de jet ski no Lago Paranoá.