Quinta onda da pandemia acelera novas restrições na Espanha

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Foto de arquivo, de 26 de abril de 2020, do monumento Puerta de Alcala em Madri

Quando parecia que a Espanha ganhava impulso em direção ao verão da recuperação, graças a uma boa taxa de vacinação, um novo revés veio: o contágio desenfreado entre os jovens, que fez com que muitas regiões reforçassem suas restrições para conter a quinta onda da pandemia.

A Catalunha, um dos epicentros desta escalada de infecções, vai pedir autorização da Justiça nas próximas horas para reaplicar o toque de recolher noturno em Barcelona e nas cidades mais afetadas, a exemplo da vizinha Valência, que já obteve a aprovação.

Os tribunais das Ilhas Canárias, no entanto, negaram o pedido do Executivo insular.

Se conseguir, a Catalunha aceleraria assim a reversão iniciada na semana passada, quando decretou o fechamento da vida noturna em espaços fechados por pelo menos 15 dias, alarmada pela explosão de infecções que se seguiram à tradicional festa de San Juan e à reabertura das boates no final de junho.

"Os dados são terríveis. São francamente muito, muito ruins", alertou na segunda-feira a autoridade regional da Saúde, Josep Maria Argimon, durante entrevista coletiva em que anunciou o encerramento de todas as atividades às 00h30.

Com uma incidência de 3.311 casos por 100.000 habitantes em 14 dias entre jovens de 20 a 29 anos, a Catalunha lidera o surto, quando a média nacional para todas as idades é de 436 casos.

- Poucos mortos -

Nas últimas duas semanas, esta região de 7,7 milhões de habitantes diagnosticou quase 79 mil casos positivos e municípios como Barcelona pedem ajuda há dias para controlar o acesso a praias e parques, pontos de concentração para jovens desde que o toque de recolher foi levantado.

"O que nos surpreendeu um pouco é a velocidade do contágio (...) Foi muito rápido", comentou à AFP o Dr. Álvaro Arcocha, vice-diretor médico do Hospital Bellvitge.

Em seu centro, os internados na ala para a covid-19 passaram de 20 para 110 pacientes em apenas duas semanas, com uma idade média muito menor do que antes: 44 anos.

Impulsionada pela variante Delta e com grande parte da população vulnerável vacinada, essa nova onda é diferente. Os hospitais recebem pacientes mais jovens, muitos ainda não vacinados ou com apenas uma dose.

"Agora o que está pesando muito é a internação. A questão é se isso vai dar uma guinada para a UTI (unidade de terapia intensiva) como aconteceu em outras ondas ou se, sendo pacientes mais jovens, vão se recuperar mais fácil. Veremos à medida que avançamos", explicou.

Em nível nacional, tanto os números de internados em UTIs (que ocupam em média 8,2% dos leitos disponíveis) quanto de óbitos (13 na terça-feira) permanecem bem abaixo dos piores picos da pandemia.

- Vacina, o elemento mitigador -

A principal preocupação agora é administrar a onda em pleno período de férias do pessoal de saúde e após o relaxamento das medidas, como o uso da máscara, que não é obrigatório ao ar livre desde 26 de junho.

Os governos regionais também não podem recorrer ao escudo jurídico do estado de alarme, que deixou de valer no início de maio, o que obriga decisões como o toque de recolher a serem endossadas pela Justiça.

A aposta nacional é continuar a acelerar a campanha de vacinação.

"Na semana de 19 de julho, atingiremos 25 milhões de espanhóis com um regime completo. Isso significa que antes do final do verão, antes do final de agosto, já teremos 70% da população imunizada com duas doses", sublinhou o chefe do Governo, Pedro Sánchez, em entrevista televisionada na noite de terça-feira, onde pediu um esforço adicional aos mais jovens.

"O que eu diria é que estamos chegando à costa e não faz muito sentido parar de remar quando estamos chegando", incentivou.

Os médicos também se apegam ao avanço da vacinação para não reviver o pior de um pesadelo que já deixou mais de 81 mil mortos na Espanha.

"Se não fosse pela vacina, estaríamos todos confinados e seria o mesmo drama que vivemos há um ano. Graças à vacina estamos como estamos", enfatizou Arcocha.

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