Quiosque Moïse é inaugurado no Parque Madureira

Um dia de alegria, mas também de tristeza e de luta por justiça. Foi assim que a mãe de Moïse Kabagambe, Ivana Lay, descreveu a inauguração do quiosque em homenagem ao filho, no Parque Madureira, nesta quinta-feira. O Quiosque Moïse foi projetado para ser uma homenagem ao congolês, brutalmente espancado e assassinado no dia 24 de janeiro deste ano, no quiosque em que trabalhava na Barra da Tijuca.

Além de uma homenagem a Moïse, a ideia da prefeitura do Rio é que o quiosque seja um polo da cultura congolesa na cidade. O prefeito Eduardo Paes entregou uma placa com o alvará de funcionamento do estabelecimento para a família de Moïse. Paes reforçou que é impossível reparar a dor da perda de um filho, mas que a entrega do Quiosque, além de ser um gesto genuíno para garantir uma forma de sustento para a família, é também um gesto político que diz que a cidade do Rio não vai tolerar atos racistas, de discriminação ou xenofóbicos.

— É um sentimento dividido. Esse quiosque é bom. Mas também a gente quer Justiça. A gente agradece pelo quiosque, mas ele não vai acabar com essa dor. Hoje cedo, antes de vir para cá, a gente foi lá, onde mataram ele. Quando eu cheguei aqui e vi a foto, chorei. É muita dor — desabafou Ivana Lay, mãe de Moise.

O Quiosque Moïse foi construído em 150 dias pela Orla Rio, que além da estrutura, contribuiu com o estoque de alimentos e com o treinamento dos funcionários. A família de Moïse participou da escolha de cada detalhe. Na cozinha, trabalham brasileiros, mas também refugiados do Congo e de vários países africanos. O cardápio traz petiscos e pratos típicos da culinária congolesa, que só são encontrados aqui, e também por comidas que misturam a culinária brasileira e africana.

— Não adianta tentar dizer, até de forma dura, que foi um conflito, uma briga de rua qualquer. Não foi. Se Moïse fosse branco, carioca, não teria acontecido. Pelo menos não dá forma como aconteceu. Aconteceu porque estavam lidando com um estrangeiro, com um negro, um preto. E isso nós não vamos admitir aqui — enfatizou o prefeito.

A festa de inauguração contou com muita música, dança e performances da cultura do Congo. O DJ congolês Chancel Vuete chegou no Rio de Janeiro há seis anos, trabalhou em mercados e em postos de gasolina. Agora ele tem um espaço para expressar a sua arte, para congoleses que como ele vivem aqui e para cariocas que quiserem conhecer um pouco do Congo.

— Para mim esse quiosque virou a embaixada do Congo no Brasil, uma referência do país. A gente não tinha essa referência. Onde comer comida típica? Vai ser aqui. Onde vai tocar a nossa música? Vai ser aqui. Queremos receber todos os congoleses. Aqui em Madureira, um lugar super democrático e nesse quiosque que é um espaço nosso — afirmou Chancel.

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