Quiosques da orla do Rio vão poder fazer festas de réveillon

Yasmin Setubal
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Leo Martins / Agência O Globo
Leo Martins / Agência O Globo

RIO — Quem quiser passar o réveillon na orla do Rio vai ter que botar a mão no bolso. A celebração democrática, que une cariocas e turistas diante de um espetáculo pirotécnico, não vai acontecer, mas a prefeitura autorizou ontem que os quiosques façam festas particulares na areia, conforme adiantou Ancelmo Gois em sua coluna no GLOBO. Os estabelecimentos poderão fazer cercadinhos e cobrar pelos serviços. Não haverá queima de fogos, mas as pistas de dança e apresentações de música estão liberadas.

Ao todo, a orla tem 309 quiosques. Cada um vai poder instalar 40 mesas, e a estimativa é que a celebração nas unidades administradas pela Orla Rio atraiam cerca de 50 mil pessoas. A concessionária diz que todos os protocolos de segurança serão seguidos para evitar a transmissão da Covid-19.

— Para evitar aglomeração, todos deverão fazer uso de grades de proteção e trabalhar com distanciamento de 1,5m entre as mesas. Mas propomos também o formato de evento que poderá ser seguido por alguns quiosques. Ele prevê a utilização de uma faixa de areia da praia para a instalação de grades de isolamento, formando uma área de até 225 metros quadrados — diz João Marcello Barreto, presidente da Orla Rio.

Ele diz que a liberação é importante para os quiosques, que ficaram mais de três meses fechados e sofreram muito prejuízo durante a pandemia.

— O réveillon é uma data muito importante para eles, principalmente neste ano tão difícil. A festa, muitas vezes, representa o 13º mês de faturamento para os quiosques e tem um grande efeito social para dezenas de pequenos empreendedores da nossa orla — disse.

Em nota, a prefeitura afirmou que os estabelecimentos que se interessarem em promover festas terão que fazer um pedido no site Carioca Digital e passar por avaliação da Secretaria da Fazenda e da Vigilância Sanitária sobre a viabilidade do evento. Perguntada sobre como será feita as fiscalizações, a assessoria do governo municipal afirmou que as estratégias ainda serão discutidas.

Para o epidemiologista Guilherme Werneck, vice-presidente da Associação Brasileira de Saúde Coletiva, esse não é o momento para permitir eventos deste porte.

— Acho um equívoco, vai promover aglomeração e a situação não está permitindo toda essa flexibilização — adverte.