Quirguistão e Tadjiquistão aceitam cessar-fogo após conflito mortal na fronteira

Presidentes do Quirguistão, Sadyr Japarov, e do Tadjiquistão, Emomali Rakhmon, se reúnem em Samarkand, Uzbequistão

Por Olga Dzyubenko

BISHKEK (Reuters) - Os presidentes do Quirguistão, Sadyr Japarov, e do Tadjiquistão, Emomali Rakhmon, concordaram em ordenar um cessar-fogo e a retirada de tropas em uma reunião no Uzbequistão nesta sexta-feira, disse o gabinete do presidente quirguiz, após confrontos mortais entre os dois aliados russos.

As ex-repúblicas soviéticas se acusaram anteriormente de recomeçar os combates em uma área disputada que deixou pelo menos três mortos e dezenas de feridos.

O cessar-fogo deveria entrar em vigor a partir das 16h, no horário local, disseram os guardas de fronteira do Quirguistão em comunicado. As autoridades tadjiques confirmaram que o acordo foi alcançado.

Mais cedo na sexta-feira, Moscou pediu a interrupção das hostilidades.

O Quirguistão disse que as forças tadjiques, usando tanques, veículos blindados e morteiros, entraram em pelo menos uma vila quirguiz e bombardearam o aeroporto da cidade quirguiz de Bat ken e áreas adjacentes.

Por outro lado, o Tadjiquistão acusou as forças do Quirguistão de bombardear um posto avançado e sete aldeias com "armas pesadas" na mesma área, que é famosa por sua geografia política e étnica fragmentada e se tornou o local de hostilidades semelhantes no ano passado, também quase levando a uma guerra.

Um civil foi morto e três ficaram feridos, disseram autoridades da cidade tadjique de Isfara. Dois guardas de fronteira tadjiques foram mortos no início desta semana.

O Quirguistão registrou 31 feridos durante a noite na província de Bat ken, no sul, que faz fronteira com a região de Sughd, no norte do Tadjiquistão, e possui um enclave tadjique, Vorukh, um ponto importante em conflitos recentes.

Os confrontos sobre a fronteira mal demarcada são frequentes, mas geralmente diminuem rapidamente.

As questões de fronteira na Ásia Central decorrem em grande parte da era soviética, quando Moscou tentou dividir a região entre grupos étnicos cujos assentamentos eram frequentemente localizados entre os de outras etnias.

(Repotagem de Olga Dzyubenko; reportagem adicional de Nazarali Pirnazarov em Dushanbe)