Combates na fronteira entre Quirguistão e Tadjiquistão deixaram mais de 90 mortos

Pelo menos 94 pessoas morreram esta semana em confrontos na fronteira entre o Tadjiquistão e o Quirguistão, informaram os dois países neste domingo.

Após os episódios de violência, os mais graves desde abril de 2021, os dois países da Ásia Central anunciaram na sexta-feira um cessar-fogo, mas nas horas seguintes trocaram acusações sobre violações da trégua.

O Quirguistão anunciou um balanço atualizado que cita 59 cidadãos do país mortos nos confrontos na fronteira com o Tadjiquistão, na região de Batken.

O balanço atualizado também cita 144 feridos. O ministro quirguiz de Situações de Emergência, Boobek Ajikeeb, disse que quatro soldados do país estão desaparecidos.

O presidente do Quirguistão, Sadyr Japarov, decretou um dia de luto nacional na segunda-feira.

O Tadjiquistão anunciou que 35 pessoas morreram no país nos confrontos.

O ministério das Relações Exteriores tadjique postou no Facebook uma lista de 35 cidadãos mortos entre quarta-feira e sexta-feira. Também anunciou que 25 pessoas ficaram feridas.

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, pediu aos dois países que evitem uma nova escalada de violência, em conversas por telefone com os presidentes das duas ex-repúblicas soviéticas.

"Vladimir Putin fez um apelo para que as partes evitem uma nova escalada e adotem medidas para resolver a situação o mais rápido possível por meios exclusivamente pacíficos, políticos e diplomáticos", afirmou o Kremlin em um comunicado, após a conversa de Putin com os presidentes do Quirguistão, Sadyr Japarov, e seu colega do Tadjiquistão, Emomali Rakhmon.

Neste domingo, a Guarda de Fronteira do Quirguistão informou que a noite não registrou incidentes, mas destacou que a situação continua "tensa" na fronteira, nas regiões quirguizes de Osh e Batken.

"Os governantes dos dois países estão adotando todas as medidas necessárias para estabilizar a situação, deter todas as escaladas e provocações (...) de maneira pacífica", afirmou a Guarda em um comunicado.

No sábado, o secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, ligou para os governantes dos dois países para "promover um diálogo sobre um cessar-fogo duradouro", destacou um porta-voz das Nações Unidas.

A fronteira entre Tadjiquistão e Quirguistão é cenário de combates frequentes.

Quase metade dos 970 quilômetros de fronteira comum é objeto de disputa desde o fim da União Soviética, em um ambiente de tensão pelo acesso aos recursos naturais.

Em abril de 2021, um episódio de violência provocou mais de 50 mortes e gerou o temor de um conflito em larga escala.

tol/bur/fio/mab/meb/fp