Quitéria Chagas fala de percalços em viagem do Rio até a Itália e do alívio de rever a filha: 'Me arrisquei mesmo'

Quitéria Chagas desfilando como rainha de bateria da Império Serrano

Quitéria Chagas está "isolada do mundo", como ela mesma define. Ao menos está acompanhada do marido italiano, da filha, da sogra e da cunhada. Ícone do carnaval carioca, a musa não esconde que passou por percalços no percurso entre o Rio de Janeiro, local que deixou após o período de folia, até Roma, na Itália, um dos países mais afetados pelo coronavírus no planeta.

A dançarina, que passou por cirurgia em uma das pernas no Brasil, viajou no último dia 13 deste mês - após liberação médica. Não estava completamente recuperada, mas agoniada para ver logo da família.

"Foi uma saga. Estava com medo de que fechassem os aeroportos e isso aconteceu no dia em que viajei. Comecei a chorar porque, se eu não pegasse esse avião, não veria minha filha, nem meu marido. Fui para Dubai rezando para não cancelarem o voo para Roma.  Cheguei (em Roma, na Itália) estava deserto, apenas pessoas deixando o local", conta ela, que estava usando máscara. O marido foi buscá-la no aeroporto.

Quitéria mora em Milão, mas neste período de pandemia, sua família está hospedada na casa da sogra, numa região deserta, afastada do centro de Roma. Foi para lá que o marido a levou assim que chegou de viagem. O alívio, relata a dançarina, veio quando pôde abraçar a sua filha.

"A parte mais linda foi a minha filha. Quando me viu, ela veio correndo. Pulava e gritava 'mamãe, você voltou'. Me abraçava muito. Foi emocionante e muito lindo ", lembra ela, que só teve contato físico com a menina depois de se higienizar antes de entrar nas área comum da, e trocar completamente a roupa que usara na viagem.

Eles estão isolados. Com a situação na Itália, Quitéria e seus parentes praticamente não saem de casa. Há estoque de comida na residência, numa região quase desabitada. Por lá, há poucos moradores, e produtores locais, que auxiliam no abastecimento.

"A gente está isolado mesmo. Minha cunhada, de vez em quando, vai ao supermercado. Mas não tem frequentado porque tem muitos alimentos aqui", afirma ela, que acrescenta:

 "A Itália teve que mudar os hábitos, assim como o Brasil precisará mudar. Nada de muitos beijos e abraços. Tem que higienizar tudo a todo tempo, com máscara. Nada de aglomerações, evitar contatos físicos."

Quitéria conta ainda que, ao contrário de outros pontos do país, ela não escuta ambulância, nem polícia forçando o toque de recolher nas ruas, diferente do que ocorre, por exemlo, no Centro de Roma. Ela diz que está onde deveria, ao lado do marido e da filha:

" Eu me arrisquei mesmo. Imagina se eu não pegasse aquele voo, não iria ver a minha filha. Não sei quando isso vai acabar, quando a gente vai voltar ao normal. É incerto".