Quitéria Chagas renuncia à aposentadoria e volta ao Império Serrano como rainha da escola e teme novo lockdown na Itália

Carol Marques
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Durou pouco a aposentadoria de Quitéria Chagas. Na verdade, meses. Após se despedir do posto de rainha de bateria do Império Serrano no carnaval deste ano, aos prantos, ela voltará à Marquês de Sapucaí em 2021 (ou assim que for possível ter desfile novamente). O pedido partiu da velha guarda da escola. “Foi a nação imperiana que pediu à presidência para que eu fosse rainha de bateria quando era passista, esta mesma nação pediu a minha volta quando me desentendi com gestões anteriores, e continuou pedindo para que não saísse totalmente da escola. Como imperiana há 20 anos, pretendo assim ficar até chegar na velha guarda da minha escola do coração”, justifica a modelo.

Acostumada a sair à frente dos ritmistas, Quitéria terá pela frente uma nova função e posição no enredo. “Venho abrindo a escola antes da comissão de frente, é muita responsabilidade. Ainda não defini roupa, porém, farei meu look digno, um que represente a minha escola e o enredo Mangangá, do carnavalesco Leandro Vieira”, adianta.

Morando na Itália com o marido e a filha de 5 anos, a brasileira vai comemorar seus 40 de idade, completados este ano, no ano que vem com a festa que mais ama. E tem que amar mesmo. Como rainha de bateria anos a fio, Quitéria já gastou bem mais que uma casa própria, com investimento em figurinos e passagens para estar presente ao máximo que podia. Algo que ela enxerga como um pequeno favor diante do que conquistou no período em que esteve na agremiação: “Como artista e mulher praticamente fui construída no Império, neste berço do samba. Aprendi o que é ser resistência, empoderamento feminino, a história da minha ancestralidade da cultura negra, não é à toa que o samba é uma grande escola”, avalia.

No momento, Quitéria foca no carnaval para nem ter que pensar num novo lockdown na Itália, já que uma segunda onda de coronavírus já ameaça o país. “Está sendo difícil encarar que, infelizmente, temos que administrar principalmente psicologicamente esse provável novo lockdown que o governo italiano e, praticamente, toda a Europa irão fazer; publicaram hoje nos jornais isso. O que me salvou psicologicamente foram as lives do Brasil, a TV italiana era fúnebre, as programações eram somente contabilizando mortos. Não houve jeitinho de ninguém escapar, não tinha visita na casa de ninguém e nem festas escondidas. Policiamento intenso nas ruas, ninguém podia sair de casa, era uma sensação de guerra”, recorda ela: “Imagina viver isso novamente! Ser psicóloga me ajuda a compreender, tentar ressignificar e recuperar forças para enfrentar este caos do acaso novamente; sempre com esperanças que isso tudo passará. Faço um apelo: Brasil, não repita o erro da Itália novamente, não acredite que o sol mata o Covid nem que ‘se todos pegam ele enfraquece’. Protejam-se”.