Réveillon 2023: cruzeiros chegam ao Rio e nem chuva espanta turistas nos cartões postais

O imponente MSC Preziosa, com mais de quatro mil pessoas a bordo, atracou no Píer Mauá, na Zona Portuária do Rio, no início da manhã desta sexta-feira. Além dele, mais três embarcações irão rumo às águas de Copacabana para acompanhar a queima de fogos neste sábado. Com céu nublado, que depois evoluiu para chuva, os turistas que desembarcavam não viam tempo ruim: aproveitam o pouco tempo na cidade para visitar seus principais cartões postais. O Cristo Redentor e o Parque Bondinho Pão de Açúcar receberam pessoas de vários estados e nacionalidades, mesmo que embaixo de chuva e com paisagem encoberta pela neblina.

— O Rio de Janeiro é a cereja do bolo, o ponto alto de qualquer viagem — afirma Alexander da Silva, que desembarcou no Píer Mauá acompanhado da mulher, Simone, e da filha Alexia, nesta manhã. — Já viemos ao Rio, mas é a primeira vez que elas terão a oportunidade de subir ao Pão de Açúcar — explicou o morador de Piracicaba, interior de São Paulo, que deseja um 2023 ainda empregado “para seguir pagando os passeios”, brincou.

Esta festa da virada marca um retorno após a alta de casos de Covid-19 no último réveillon.

— A viagem estava comprada para o réveillon do ano passado, mas a pandemia atrapalhou — diz Edson da Silva, que faz o seu terceiro cruzeiro, mas o primeiro para o Rio.

O tempo nublado, no entanto, frustrou o visitante, que esperava encontrar sol e calor pelo que "ouve falar em Rio de Janeiro". Mesmo assim, não desmarcou o passeio para o Corcovado, ao lado da mulher, Laura Veloso, e da filha, Fabiana Silva, em uma excursão que começou assim que saiu do Porto.

Para quem recebe os turistas, a expectativa é alta para a época de festas:

— Ano novo, vida nova. Vida nova que começou antes do réveillon. Tivemos navio (atracando) praticamente em todos os dias de dezembro. É uma diferença imensa para o início de 2022, em que tivemos que parar em janeiro e fevereiro devido ao aumento de casos de Covid — observa Marcello Chagas, coordenador de operações do Píer Mauá. Ele espera que meio milhão de pessoas passem pelo local até o mês de abril, quando termina a temporada de cruzeiros, inciada em outubro.

Com a soma das capacidades dos quatro navios que estarão no Píer Mauá no dia 31, quinze mil pessoas estarão no Rio: elas sairão do Azamara Pursuit, atracado desde esta quinta-feira; o MSC Preziosa, que chegou nesta sexta-feira; além do MSC Musica e Casa Fortuna, que chegam no sábado.

A Covid-19 ainda é uma preocupação e, por isso, é exigida a testagem para a entrada nos navios. Como a exigência é que o teste tenha sido feito 24 horas antes do embarque, dentro dos armazéns há a oferta de testes rápidos, ao custo de R$ 89.

Segundo Marcello, nos dois navios já atracados, não há casos de passageiros infectados.

Quem foi aos principais pontos turísticos, nesta sexta-feira, precisou lidar com os cartões postais encobertos por nuvens e até adicionar a capa de chuva ao vestuário, para enfrentar as precipitações.

No Cristo Redentor, os braços abertos para a cidade estavam escondidos pela neblina. O caminho, seja de trenzinho ou de vans, pela Estrada das Paineiras, também estava encoberto.

— Se o Cristo não aparece, faço os braços abertos eu mesma — brincou Ana Paula Correia, mineira de Belo Horizonte, enquanto posava para a foto aos pés do monumento, ao lado da filha, Amanda, de 16 anos, que veio conhecer o Rio.

As fotos frustradas eram mero acaso para quem está vindo à Cidade Maravilhosa pela primeira vez. Mariane Landeiro nasceu em Salvador, mas mora nos Estados Unidos há 27 anos, desde os 2 anos de vida. Veio com o filho Tiago e o marido Jose, que é venezuelano.

— Quem não quer conhecer o Rio? Sou brasileira, nunca vim aqui, muito menos no Cristo. Agora já posso dizer que conheço — diz sorridente Mariane, que segurava um guarda-chuva para proteger o pequeno da chuva, que apertou enquanto estava aos pés do monumento.

Já a costarriquenha Yohania Retana resume o momento.

— O Brasil é bonito, acontecem coisas, como em todos os lugares. O importante não é a foto, é conhecer e estar aqui, é realizar o sonho de estar aqui — comemora.

Já no Parque Bondinho do Pão de Açúcar, apesar do tempo chuvoso, durante alguns momentos, foi possível tirar fotos com a paisagem ao fundo: orla da Zona Sul, o Corcovado, o Aterro do Flamengo e o Aeroporto Santos Dumont.

Morador de Londres, Louis Salem acompanhava a montagem do palco do réveillon pensando que, mesmo com a chuva, basta ter caipirinha.

— Eu estou adorando o Brasil, as pessoas são ótimas. Vou passar o ano novo aqui em Copacabana mesmo, bebendo todas! Cheguei aqui ontem, vim de Buenos Aires, e vou embora na segunda-feira — conta Louis.

Moradoras de Santos, no litoral de São Paulo, Maria Emília e Isabelle Carvalho, mãe e filha respectivamente, marcaram a viagem em cima da hora. Com apenas dez dias de férias, as duas optaram pelos dias no navio.

— Compramos (as passagens) há dois meses. Passagem aérea, tanto para fora, como pra dentro do Brasil, está muito cara — explicou Isabelle.

Ansiosa para a virada, Maria Emília brinca que ela vê o “segundo maior Réveillon do Brasil” em Santos e, por isso, espera que seja inesquecível a virada no Rio.

O tempo ruim não desanima outra família que estava no transatlântico vinda de São Paulo. André Nunes viajou junto com a mulher, os pais, mais os dois filhos. Rafael, de 15 anos, e Leonardo, de 9, vestidos com uniformes da seleção brasileira, pediram para ir ao Maracanã. O pai garante que a Terra da Garoa o faz ver beleza até em dias sem sol, já que não é aquele "aquele Rio 40 Graus".

Os versos são cantados por Fernanda Abreu, mas André afirma que o artista que se apresentará no Réveillon e tem o seu apreço — apesar de não poder acompanhar a apresentação, por estar no navio – é Zeca Pagodinho, atração principal do palco instalado em Copacabana.

Visitando o Pão de Açúcar, os primos pernambucanos Jario Francisco e Elaine Rodrigues contam ter chegado em dias separados: ela chegou no início da semana e precisou aguardar a chegada do primo, que desembarcou no Rio apenas na quarta-feira. Os dois pretendem acompanhar a virada das areias de Copacabana. Descrevendo problemas com a vida amorosa, Jario explica o porquê de aguardar ansiosamente o show de Zeca Pagodinho, na virada.

— A música "Deixa a vida me levar" me define, porque estou vivendo esse momento. Era para eu estar em São Paulo, mas vim parar aqui. Por causa de problemas amorosos, decidi de última hora e vim para cá — afirma Jario, vestindo uma camisa da Estação Primeira de Mangueira:

— Comprei essa camisa ontem e, por coincidência, vou para a quadra à noite. Sem planejar. Estou deixando a vida me levar.

(*) Sob supervisão de Leila Youssef