Réveillon da pandemia: carros dão lugar às pessoas pelas ruas esvaziadas de Copacabana

Letícia Lopes e Maíra Rubim
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Foto: Brenno Carvalho

Às 19h59, agentes do Metrô Rio fechavam o acesso à rede na Praça Eugênio Jardim, na Estação Cantagalo, em Copacabana. Diferente dos anos anteriores, eram os carros, ao invés de multidões, que ocupavam a Avenida Atlântica neste momento.As ruas do bairro e os poucos estabelecimentos abertos estavam vazios. Também há muitos policias fazendo a vigilância.

A areia deserta e os quiosques em funcionamento estão com pouco ou quase nenhum movimento. A Prefeitura atua rebocando os carros estacionados na orla e agentes da Guarda Militar fazem a fiscalização. Uma árvore caída, por conta da chuva, na altura do Copacabana Palace não causou nenhum trânsito ou transtorno no local.

Na Avenida Atlântica, até as janelas dos apartamentos estão vazias. também chama atenção a quantidade de luzes apagadas onde, em anos anteriores, aconteciam diversas festas e confraternizações.

No bloqueio na esquina das ruas Bulhões de Carvalho e Gomes Carneiro, era grande a quantidade de motoristas desavisados que acabavam barrados por não saberem as regras de passagem. Além de moradores sem comprovante de residência, há também passageiros de carros de aplicativo e táxis que precisam desembarcar e seguir a pé, muitos deles para festas de réveillon.

De acordo com guardas municipais que atuam no local, é grande também quantidade de pessoas que querem cortar caminho pela via, sem saber do esquema de bloqueio.

— Eu moro aqui perto, mas vim apenas buscar meus sogros que estão hospedados num hotel. Não sabia que aqui estaria bloqueado — conta o gerente comercial Pedro Abi-Rihan, de 34 anos.

Um grupo de seis jovens, entre 19 e 25 anos, veio de Brasília e chegou ontem ao Rio para celebrar a virada. Queriam conhecer o famoso Réveillon de Copacabana e assistir ao fogos, mas acabaram parando em um quiosque na orla.

— Quero voltar sem essa pandemia. Confesso que está bem chato, mas seria melhor do que ficar na minha cidade — diz Ananda do Amaral, gerente de aeroporto.

A advogada Ariane Cazado de 32 anos, moradora de Copacabana, cancelou a viagem para Foz do Iguaçu por causa da pandemia. Ela se assustou ao ver o bairro hoje:

— Sensação de tristeza e estranhamento, mas pelo menos me sinto segura por não ter viajado. Vim para o quiosque só para não ficar em casa.

Acompanhada de sua filha, a servidora pública baiana Mariana Esteves, de 33 anos, chegou hoje da Bahia com sua filha em Copacabana.

— Queria mostrar a festa de Copacabana para minha filha. Esperava pelo menos o show de led. Está triste, mas pelo menos estamos aqui. Mas por ter pouca gente, me sinto mais segura de não aglomerar e correr um risco maior de me contaminar — afirma.

A virada da pandemia também não vai ter queima de fogos, nem shows na praia. E o acesso à orla, do Leme ao Recreio, no Pontal, será controlado através de 54 pontos de bloqueio. Entre as 20h desta quinta-feira — quando tradicionalmente as praias começam a lotar, sobretudo a de Copacabana — e as 3h desta sexta-feira, ônibus e vans não poderão mais entrar na região.

De quebra, a medida, além de conter as multidões que se juntam à beira-mar na virada do ano, terá efeito sobre as festas particulares. A ideia é desencorajar as pessoas a saírem de casa, em meio à pandemia, para grandes reuniões familiares.