Réveillon em Copacabana: cariocas relatam dificuldades com transporte na volta para casa

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Com as interdições nas ruas, os horários reduzidos para a circulação de ônibus e o fechamento do metrô, quem dependia de transporte público para sair de Copacabana teve dificuldades madrugada deste sábado após a cerimônia de réveillon. Até mesmo carro de aplicativo foi difícil. A bancária Daniele Nunes, de 32 anos, foi com a tia e a prima acompanhar a queima de fogos na orla e por volta de 4h tentava voltar para casa de ônibus, no Rio Comprido.

— A gente pediu um carro de aplicativo, mas nem com a corrida custando mais de R$ 100 os motoristas estão aceitando. E o ônibus só voltou agora. Um absurdo. Porque a festa terminou meia-noite. A gente ficou muito tempo na rua e ainda teve arrastão. Ainda colocou o pessoal em risco. Metrô só 7h é muita sacanagem — desabafa.

Ela diz que já passou a virada de ano em Copacabana em outros anos, mas que nunca foi tão difícil voltar pra casa.

— Onde eu moro não é área de risco, nem nada — reclama.

As três aguardavam para voltar para casa desde 2h. Elas esperavam pelos ônibus 456 ou 455 e disseram que três ônibus da linha 455 passaram e não pararam no ponto em que elas estavam na Avenida Nossa Senhora de Copacabana entre as ruas Rodolfo Dantas e Duvivier.

Mas o transtorno da volta para casa não foi sentido só para quem ultrapassou os bloqueios que tinha como objetivo impedir que o público geral chegasse a Copacabana e gerasse aglomeração, mas como também para quem trabalhou durante a virada. O garçom Valdemar Gomes, de 61 anos, e o cozinheiro Domingos Araujo, de 60, esperavam, às 4h, há, pelo menos, 40 minutos por uma condução. Valdemar aguardava o ônibus que faz a linha Copacabana x Charitas, para ir para São Gonçalo, e Domingos aguardava a linha 432 para ir para o Estácio.

— A gente sabia que a volta ia ser difícil. houve outros anos em que a gente trabalhou e já era um sacrifício muito grande. Imagina agora que falaram que o trânsito ia ser liberado só às 3h... — disse Valdemar, que não conseguiu embarcar em outras opções que poderiam servir de baldeação poque elas já estavam lotadas.

Na estação de metrô Cardeal Arcoverde, a auxiliar de limpeza Eurilania de Souza, de 46 anos, chegou às 4h40 para a fila de espera da abertura da estação, que acontece só as 7h. Ela foi para Copacabana sozinha para assistir a queima de fogos e planeja voltar para Bonsucesso. Ela disse que aprovou o espetáculo dos fogos de artifício, mas achou inviável o horário do metrô, que na prática, segundo ela, não impediu que o público fosse a Copacabana.

— Eu amei os fogos, foi muito bonito. A única coisa ruim é isso de ter que aguardar até 7h o metrô. não achei viável o horário, porque isso foi para impedir que as pessoas viessem, mas não resolveu nada. É bem chato porque quando a gente está num local, termina, quer ir para casa e tem que aguentar esse tempo todo. Se tivesse a condução, quando a pessoa quisesse ir embora, iria. Mas tem que esperar. Agora fico aqui porque nem ônibus passa.

O líder comunitário Wendell da Silva, de 32 anos, é de São Paulo e estava com seis amigos para voltar para a Pavuna. Às 4h40, chegaram a estação Cardeal Arcoverde para esperar o metrô abrir, mas não sabiam que abriria só às 7h.

—- Nem sabia que era só as 7h, achei que era as 5h. Agora vamos ficar sentados aqui até abrir.

Wendell aprovou o show pirotécnico na Praia de Copacabana, que viu pela primeira vez, mas criticou a ausência da PM nas areias, que estavam, segundo ele, apenas no calçadão. Ele presenciou uma tentativa de roubo na altura do Copacabana Palace.

— Acho que a segurança poderia melhorar. Teve muito roubo de celular.

Na estação Siqueira Campos por volta de 5h, uma fila de pessoas já se formava aguardando a abertura da estação.

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