Réveillon em Copacabana teve queda nos roubos e furtos, segundo PM

A festa da virada em Copacabana teve redução expressiva nos registros de roubos e furtos, de acordo com levantamento da Polícia Militar, que comparou o réveillon de 2020 — último a contar com shows antes da pandemia — e o de 2023. Com os pontos de revista nos acessos ao bairro, que contaram com o auxílio de detectores de metais, os números de roubos e furtos a pedestres tiveram quase 90% de queda.

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Os números apurados pelo 19° BPM, responsável pelo bairro, apontam que o roubo a pedestre teve redução de 89%, enquanto o furto a transeunte caiu 85%. Já o roubo a celular, teve redução de 65%, enquanto o furto a celular, 55%.

O parâmetro usado pela corporação para a comparação foi o réveillon 2020, última festa, antes desta virada, que contou com shows na praia.

— Esses resultados mostram que o planejamento da Polícia Militar, com pontos de bloqueio e revista, além da utilização de câmeras operacionais portáteis nas fardas dos policiais e monitoramento de helicóptero e drones, deu muito certo — destacou o governador Cláudio Castro.

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O balanço da PM registra que, nos dias 31 e 1º, 179 objetos perfurocortantes (facas, tesouras, estiletes e chaves de fenda) foram apreendidos. Além disso, nove pessoas foram encaminhadas para a 12ª DP (Copacabana).

Na última virada, de 2021 para 2022, quatro pessoas foram esfaqueadas na festa em Copacabana, de acordo com a prefeitura do Rio. À época, duas vítimas foram internadas em estado grave.

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Público relata temor

Pela primeira vez acompanhando a virada da Praia de Copacabana, uma adolescente de 14 anos, que prefere não ser identificada, presenciou uma multidão correndo e não soube como reagir. Segundo a jovem, por volta das 23h15 assaltantes vieram de duas direções diferentes, pressionando os transeuntes no cruzamento das avenidas Princesa Isabel com Atlântica, ponto próximo ao hotel Hilton.

— Fiquei muito assustada. Nunca tinha visto um arrastão. Cheguei a pensar se era melhor correr, mas permaneci parada no mesmo local com o meu acompanhante. Não fui roubada, logo depois do que aconteceu nós nos aproximamos da polícia — relata.

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Agentes da Secretaria municipal de Ordem pública (Seop) e da Polícia Militar prenderam em flagrante um grupo de criminosos que estavam furtando celulares e cordões na orla de Copacabana, próximo ao palco principal, no quiosque Cantinho Cearense. Na ocasião, um grande tumulto se formou e dois homens foram levados para a delegacia de Copacabana. Outros três jovens menores de idades também estariam participando dos roubos. Pessoas que estavam ao lado do quiosque aplaudiram a ação dos agentes. Desde as 19h30 de sábado, pelo menos quatro arrastões foram dispersados pelos policiais no calçadão e na área da praia em frente ao palco principal.

— Eu acho bacana a ação da polícia. Todo réveillon é isso. Tem roubo e furto. Eu estava do lado e corri quando vi a confusão. Eu vim com a minha família e mesmo com a ação da policia, fico um pouco apreensiva — afirmou Ana Carolina, de 22 anos.

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Nas redes sociais, histórias parecidas surgem sobre a noite da virada. Para quem foi presenciar pela primeira vez a queima de fogos em um dos cartões postais mais famosos do mundo, a experiência acabou não sendo como o esperado.

A influenciadora digital Triscila Oliveira contou em sua conta do Twitter que se arrependeu da escolha:

"Fizeram arrastão na virada, pegaram um menino que roubou um celular e tentaram afogá-lo. Os fogos no ar, ano novo e as pessoas tensas com medo. Estou com dor de cabeça até agora. Não vale a pena ficar na praia", ela escreve em uma publicação.

"Eu nunca vi tanto roubo e arrastão por metro quadrado quanto vi ontem em Copacabana. Eu não sabia se curtia o show do Alexandre Pires ou se corria o tempo inteiro", escreve outra internauta em tuíte.

Demandada, a Polícia Civil não enviou uma resposta até a publicação da matéria.

*Estagiária sob supervisão de Giampaolo Morgado Braga