Réveillon do reencontro: mais de dois milhões celebram a chegada de 2023 em clima de otimismo em Copacabana

Nem a chuva resistiu às boas vibrações que tomaram Copacabana para saudar a chegada de 2023. Embora a previsão do tempo anunciasse grandes chances de aguaceiro para a noite da virada, a primeira festa de réveillon com tudo que cariocas e turistas têm direito desde que a pandemia da Covid-19 mudou os rumos do planeta veio com rajadas de otimismo, esperança e fé — mas sem nenhuma garoa até os primeiros minutos do ano.

Fumaça atrapalha

O drible na meteorologia foi o efeito pirotécnico extra em uma noite já mágica, com homenagens, antes e em meio à queima de fogos, a Pelé, Elza Soares, Gal Costa e Erasmo Carlos, que partiram em 2022. Com o céu tomado de cores — e também um bocado de fumaça, que afetou a observação dos efeitos, além do cheiro de pólvora em alguns pontos — por 12 minutos, a confiança em tempos melhores era exibida nos sorrisos abertos da multidão, nas flores jogadas ao mar com desejos para o ano que começava, nas ondas saltadas de sete em sete e nos abraços de feliz Ano Novo até em desconhecidos, sem se importar com crenças ou polarizações.

— Passamos por um período difícil, de pandemia e de questões políticas em que as pessoas estiveram muito inflamadas, de ambos os lados. Que isso se amenize e que haja mais amor — resumia, em Copacabana, a arquiteta mineira Beatriz Lodi. — A palavra que define 2022 para mim é gratidão. Já para 2023, é esperança.

Primeira artista a cantar no palco principal, diante do Copacabana Palace, Iza — em um traje branco vazado — deu o tom da comemoração: “Depois de dois anos, a praia é nossa”, anunciou. “Vai ser o melhor ano de sua vida”, decretou no final. Também levantaram o público, estimado em mais de dois milhões de pessoas pela prefeitura, estrelas como Alexandre Pires, Preta Gil e Zeca Pagodinho.

A atmosfera positiva enlaçou tanto quem já bateu ponto no réveillon mais famoso do mundo incontáveis vezes quanto quem estreou na festa ontem. Morador de Belford Roxo, na Baixada Fluminense, Vinícius Feitosa, de 20 anos, escolheu Copacabana para, dividindo uma pequena barraca, iniciar 2023 ao lado dos melhores amigos.

— Eu estou amando, de verdade. Sabemos que 2022 não foi um ano tão bom, mas estou muito animado para o que vem por aí, cheio de coisas boas e novas — previu o jovem.


Volta de uma tradição

Já a cuidadora de idosos Estela Santos, de 26 anos, voltou à praia no mesmo ponto onde passa todas as viradas de ano desde a infância. A tradição iniciada pela mãe só foi interrompida nos dois últimos anos, por conta das restrições no auge da pandemia, mas pôde ser retomada agora, ao lado de quase 30 parentes.

— A gente estava sentindo falta dessa festa. Minha mãe sempre vem na frente e monta a ceia para toda a família. Faço isso há anos, e, agora, quero deixar o legado para meus filhos. E este, de todos os réveillons que já passei aqui, está sendo o mais diferente — garantiu Estela, destacando, além de toda a energia positiva, a diminuição nos casos de violência durante as comemorações: — Na última vez em que estive aqui, no mesmo lugar, vi vários arrastões. Gostei da revista policial, espero que tenha vindo para ficar. Que a cidade fique mais segura e que as pessoas sejam mais empáticas. Com paz e alegria, claro.

Os bloqueios citados pela jovem, nos quais eram usados até detectores de metal, perderam força mais para o fim da noite, com o aumento no fluxo de pessoas. Ainda assim, os relatos de furtos diminuíram em relação a anos anteriores. Outros problemas antigos, como cercadinhos privados irregulares na areia, que cobravam até R$ 700 por uma mesa, também voltaram a dar as caras. Nada, porém, que tirasse o brilho da festa — nem o otimismo de quem escolheu Copacabana para ver 2023 nascer.