Réveillon 2023: Turistas lotam a cidade, e números aproximam-se dos da pré-pandemia

Com o número de visitantes chegando a patamares da pré-pandemia no Rio, o setor de turismo e a prefeitura comemoram a volta por cima. O presidente do HotéisRio, Alfredo Lopes, estima que a ocupação da rede hoteleira chegue a 98%, em média, no réveillon — apenas um ponto percentual abaixo do registrado na virada de 2019 para 2020 —, devendo alcançar 100% em Ipanema, Leblon e Copacabana. Mas uma grande diferença, para melhor, é a presença de estrangeiros, que, segundo Lopes, serão 40% dos hóspedes em hotéis de luxo da Zona Sul.

— São sobretudo americanos e europeus, que gastam mais do que outros turistas — comemora. — Isso sinaliza que teremos um bom carnaval, com muitos gringos sambando.

O presidente da Riotur, Ronnie Aguiar, é ainda mais otimista. Ele acredita que este réveillon baterá o de 2019-2020 em ocupação de hotéis e movimentação econômica.

— Estamos há dois anos sem festa de verdade. Há uma vontade de comemorar reprimida. Teremos uma estrutura melhor, e caprichamos nas atrações — diz ele, que já fala em um público de 2,5 milhões em Copacabana e 500 mil nos demais palcos.

E quem não conseguiu vaga nos hotéis de Copacabana está buscando alternativas, como o Airbnb. O casal paraguaio Alba Riquelme e Renato Prono utilizou a rede para conseguir um quarto no bairro e curtir a praia e a virada de ano.

— Estamos felizes de ter conseguido ficar em Copacabana. Está tudo maravilhoso. Vamos receber o ano novo com muito ânimo e felicidade, e tudo devidamente fotografado — afirma Alba, enquanto era clicado pelo companheiro.

A Fecomércio estimou em R$ 2 bilhões toda a movimentação financeira na cidade, incluindo setores privado e público. Ontem, a Riotur e a Secretaria municipal de Desenvolvimento Econômico informaram que, só de ISS de turismo, o Rio espera arrecadar R$ 14,2 milhões em dezembro, mais que no mesmo mês de 2019 (R$ 13,1 milhões).

— Ganhamos não só em arrecadação, mas também na geração de emprego e renda — comenta o secretário Chicão Bulhões.

Entusiasmo não falta também à diretora-executiva do Rio Convention & Visitors Bureau, Roberta Werner. Ela conta que locais de visitação — como Corcovado, Pão de Açúcar e AquaRio — têm um crescimento estimado de 15% a 20% em relação a 2019. Segundo ela, os estrangeiros serão 25% do total de turistas na cidade, uma quantidade expressiva, embora não tenha alcançado o período pré-pandemia (entre 30% e 40%).

O anúncio das ações de segurança para Copacabana é importante para a imagem do Rio. Se entregamos uma grande festa, o Rio será celebrado e terá uma repercussão enorme — prevê.

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Tão animado quanto está o presidente do SindRio, Fernando Bower, que afirma que o faturamento de bares e restaurantes este mês deve ser próximo ao da pré-pandemia:

— Em dezembro de 2019, o setor faturou R$ 894 milhões. Sem descontar a inflação, deve fechar dezembro agora nesse patamar.

Na quarta prévia da pesquisa do Hotéis-Rio, divulgada ontem, a cidade está com uma ocupação média de 92,51% para o réveillon. Ipanema e Leblon lideram com 96,98% das reservas confirmadas, seguidos de Flamengo e Botafogo (96,5%) e Leme e Copacabana (95,84%). Logo após vêm Barra e São Conrado (93,19%) e Centro (82,76%).

Essa ocupação vai aumentar. O turista nacional deixa para fazer a reserva na última hora — explica Alfredo Lopes.

Entre os turistas, o momento já é de celebração. Moradores de Santa Helena, no interior de Goiás, o casal Francisco Junior e Juliana Lucia realizaram o sonho de se hospedar no Copacabana Palace, que tem diárias na faixa dos R$ 3 mil.

Primeiro queremos conhecer a cidade, Copacabana em especial. Mas vamos tirar um dia para ficar na piscina e ver tudo dentro do hotel — diz Juliana, que esteve na Praia de Copacabana pela primeira vez e acabou sendo vítima de um pequeno acidente no mar: — Tomei um caixote e fiquei com a perna arranhada.

A outros visitantes resta apenas a oportunidade de fazer uma selfie diante do hotel de luxo.

— Não há nada comparado com o réveillon de Copacabana: o ambiente, as pessoas, tudo. Não ficamos hospedados no Copacabana Palace, mas quem sabe um dia — sonha a catarinense de Itajaí Elaine Amaral, que visita o Rio pela terceira vez.