Rússia acusa Testemunhas de Jeová de extremismo e reclama propriedades

MOSCOU (Reuters) - A Suprema Corte da Rússia determinou nesta quinta-feira que as Testemunhas de Jeová são uma organização "extremista" e que deve entregar todas as suas propriedades ao Estado, relataram agências de notícias russas.

A agência de notícias Interfax disse que, segundo Sergei Cherepanov, um representante das Testemunhas de Jeová, o grupo irá apelar da decisão à Corte Europeia de Direitos Humanos.

"Faremos tudo o que for possível", disse.

As autoridades russas colocaram várias publicações do grupo em uma lista de literatura extremista proibida, e procuradores o acusam há tempos de ser uma organização que destrói famílias, fomenta o ódio e ameaça vidas.

O grupo, uma denominação cristão não-trinitária sediada nos Estados Unidos e conhecida por sua pregação de casa em casa e sua rejeição ao serviço militar e a transfusões de sangue, disse que esta descrição é falsa.

A organização religiosa se expandiu em todo o mundo e tem cerca de oito milhões de seguidores ativos. As Testemunhas de Jeová enfrentaram processos em tribunais de vários países, a maior parte devido a seu pacifismo e sua rejeição às transfusões, mas a Rússia tem sido a mais enfática ao retratá-las como um culto extremista.

Seu ramo russo, localizado perto de São Petersburgo, vem rejeitando esta alegação com frequência, e disse que uma proibição afetaria diretamente cerca de 400 de seus grupos e teria impacto em todos seus 2.277 grupos religiosos na Rússia, onde diz ter 175 mil seguidores.

(Por Vladimir Soldatkin)