Rússia acusa Ucrânia de colocar explosivos em corpos de mortos em Azovstal

SÃO PAULO, SP (UOL/FOLHAPRESS) - O Ministério da Defesa da Rússia disse, em seu relatório desta terça-feira (31), que corpos de 152 combatentes ucranianos que estavam no complexo Azovstal, em Mariupol, foram encontrados no local. Segundo os russos, foram achadas "quatro minas colocadas sob os corpos dos militares ucranianos mortos", o que seria "suficiente para destruir todos os restos dos corpos".

De acordo com o relato russo, essa teria sido uma ordem do governo ucraniano, com o objetivo de "acusar a Rússia de destruir deliberadamente os restos dos corpos e impedir que sejam levados para serem transferidos para parentes, a fim de salvar a 'reputação' política do regime de Kyiv e de [presidente ucraniano, Volodymyr] Zelensky pessoalmente".

A informação não pôde ser verificada com fontes independentes. A Rússia, até o momento, não apresentou provas de suas alegações. O governo ucraniano ainda não se manifestou sobre as acusações da Rússia. O Ministério da Defesa da Rússia disse que "planeja entregar os corpos" encontrados em Azovstal "em um futuro próximo".

Azvostal era o último ponto de resistência ucraniana em Mariupol, cidade portuária no sul da Ucrânia. Em meados de maio, os últimos combatentes no complexo industrial renderam-se às forças russas.

A guerra da Rússia na Ucrânia entrou em seu 97º dia. Em Sievierodonetsk, na região de Lugansk, no leste da Ucrânia, autoridades ucranianas dizem que parte da cidade já é controlada por forças russas. Segundo o governador de Lugansk, Sergey Gaidai, a situação é "extremamente difícil" na cidade, mas há ainda representantes do exército ucraniano no local, o que faz com que os russos não possam movimentar-se "livremente". Ele disse que a Rússia está enviando reforços ao local.

Já em Slavyanka, na região de Donetsk, também no leste, um ataque com mísseis matou ao menos três pessoas e deixou outras seis pessoas feridas. O governador da região, Pavlo Kyrylenko, voltou a fazer um apelo para que os ucranianos deixam a região e disse que o presidente russo, Vladimir Putin, está liderando uma guerra pelo "extermínio de ucranianos". "Salvem as suas vidas."

Para a inteligência do Ministério da Defesa do Reino Unido, "o objetivo político da Rússia é provavelmente ocupar todo o território" das regiões de Donetsk e Lugansk.

Nesse sentido, Sievierodonetsk é vista como ponto-chave. A conquista da cidade de Lyman apoiou seu "esforço operacional" para o cerco de Sievierodonetsk, avaliaram os britânicos, aliados dos ucranianos. "O bombardeio pesado continua, enquanto os combates de rua estão ocorrendo nos arredores da cidade de Sievierodonetsk."

Para alcançar o "objetivo político", porém, os britânicos, disseram que "a Rússia precisará garantir outros objetivos operacionais desafiadores além de Sievierodonetsk, incluindo a cidade-chave de Kramatorsk".

"Os principais esforços [da Rússia] estão focados em estabelecer o controle sobre a cidade de Sievierodonetsk", disse o Ministério da Defesa da Ucrânia em relatório desta terça-feira (31), indicando que "as hostilidades continuam" com ações ofensivas na área da cidade.

A Defesa ucraniana também afirmou que as áreas de fronteira nas regiões de Chernihiv, no norte do país, e Sumy, no nordeste, sofreram bombardeios.

Em Slobozhanske, na região de Dnipropetrovsk, a Ucrânia disse esperar uma ofensiva. "O inimigo continua a se preparar para a ofensiva. Estuda as prováveis maneiras de avançar."

Um tribunal ucraniano condenou dois soldados russos nesta terça-feira (31) a 11 anos e meio de prisão. Eles foram acusados de bombardear com lança-mísseis múltiplos duas localidades da região de Kharkiv, no nordeste do país, nos primeiros dias da guerra.

Alexander Bobykin e Alexander Ivanov foram declarados culpados de "violar os usos e costumes da guerra" após um julgamento que começou há algumas semanas, segundo a agência Interfax-Ucrânia. Ainda de acordo com a agência, os dois acusados "reconheceram totalmente sua culpa e declararam que estavam arrependidos".

De acordo com o Ministério Público ucraniano, o país abriu mais de 12.000 investigações por crimes de guerra desde 24 de fevereiro, quando começou a invasão russa.

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