Rússia admite 1 morto e 27 desaparecidos em naufrágio de navio de guerra

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***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 14.11.2019 - O presidente russo, Vladimir Putin, durante reunião do Brics, no Palácio do Itamaraty, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)
***ARQUIVO***BRASÍLIA, DF, 14.11.2019 - O presidente russo, Vladimir Putin, durante reunião do Brics, no Palácio do Itamaraty, em Brasília. (Foto: Pedro Ladeira/Folhapress)

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Moscou admitiu nesta sexta (22) que o naufrágio de seu principal navio de guerra no Mar Negro, o Moskva, deixou um marinheiro morto e 27 tripulantes desaparecidos. Símbolo do poder naval do país, o navio afundou no dia 14, segundo o Ministério da Defesa russo.

O Kremlin vinha se negando a comentar sobre possíveis baixas até então. Outras 396 pessoas foram resgatadas do navio.

O navio está no centro de uma guerra de narrativas entre Moscou e Kiev: os ucranianos afirmam que a embarcação afundou após ser atingida por um míssil de cruzeiro, enquanto os russos afirmam que houve um incêndio após a explosão de munição ali transportada.

Nenhuma das versões pôde ser confirmada de maneira independente, mas analistas militares afirmam que, caso o ataque ucraniano tenha sido real, o episódio representaria um golpe moral para o governo de Vladimir Putin. O governo ucraniano afirma que conseguiu atingir o navio de guerra com um míssil de fabricação ucraniana batizado de Neptune.

O Moskva (Moscou, em russo) tem cerca de 186 metros de comprimento, entrou para a frota do país no início dos anos 1980 e foi construído no porto de Mikolaiv, em território que hoje pertence à Ucrânia --à época, ainda parte da União Soviética.

De acordo com as agências de notícias russas, o naufrágio ocorreu devido a uma perda de estabilidade, por causa das avarias ao casco, enquanto a embarcação era rebocada de volta para o porto em meio a condições agitadas do mar. O Kremlin, que não reconheceu o ataque ucraniano, diz que investiga as causas da explosão.

O cruzador desempenhou papel importante em várias campanhas militares do país, inclusive na Síria. Agências de notícias russas dizem que 16 mísseis com alcance de até 700 km estavam a bordo.

A nau ganhou notoriedade no início da guerra pelo ataque à ilha da Cobra, em que 19 marinheiros ucranianos foram capturados e depois trocados por prisioneiros russos.

O mar Negro é considerado essencial para a campanha militar russa e serve de apoio a operações terrestres no sul e no leste da Ucrânia --hoje epicentro da operação de Moscou, que visa a construir uma ligação entre a Crimeia, anexada em 2014, e o Donbass. De lá, a Marinha já disparou mísseis de cruzeiro contra cidades ucranianas.

Os Estados Unidos disseram não ter informações suficientes para determinar se o Moskva foi atingido por um míssil. "Mas, da forma como isso [o naufrágio] se desenrolou, é um grande golpe para a Rússia", afirmou o conselheiro de segurança nacional Jake Sullivan.

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