Rússia anuncia fim de exercício militar na fronteira da Ucrânia

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MOSCOU — O ministro da Defesa da Rússia, Sergei Shoigu, anunciou nesta quinta-feira que o país está começando a retirar as tropas militares da área próxima à fronteira com a Ucrânia apósos exercícios realizados nas últimas semanas serem considerados “satisfatórios”. O retorno às bases militares dos 10 mil soldados, além de navios e aeronaves, começa já a partir desta sexta-feira.

— As tropas demonstraram sua capacidade de garantir um defesa confiável — ressaltou Shoigu ao anunciar a saída.

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A concentração de forças na Crimeia, território ucraniano anexado unilateralmente pelos russos em 2014, é parte de uma mobilização muito maior de tropas russas, que vinha preocupando parte do Ocidente. O temor das potências ocidentais era de que Moscou poderia iniciar uma guerra local para ocupar a área do Donbass, que desde o fim de 2013 está em conflito por conta de grupos separatistas pró-Rússia.

A presença dos milhares de militares russos também elevou a tensão com o governo de Kiev. Mais cedo nesta quinta-feira, o ministro das Relações Exteriores ucraniano exortou aliados ocidentais a mostrarem que estão preparados para punir Moscou com novas sanções, inclusive expulsar a Rússia do sistema global de pagamentos bancários Swift, para impedir que o Kremlin recorra a mais força militar.

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Após o anúncio da retirada de tropas, no entanto, o presidente da Rússia, Vladimir Putin disse que está pronto para receber o seu homólogo ucraniano, Volodymyr Zelensky, “a qualquer momento” em Moscou, para tratar de relações bilaterais. Zelensky pediu que Putin aceitasse uma reunião na quarta-feira.

— Se se trata de falar de relações bilaterais, claro, estamos prontos para receber o presidente ucraniano em Moscou a qualquer momento que ele julgar apropriado — disse Putin, pontuando que se Zelensky pretende discutir o conflito entre as forças ucranianas e os separatistas pró-russos no leste da Ucrânia, “ele deveria se reunir principalmente com os líderes das duas repúblicas proclamadas pelos rebeldes”. — Houve muitas medidas destinadas a destruir nossas relações, das quais, é claro, não podemos deixar de lamentar. Se o presidente Zelensky quiser começar a restabelecê-las, vamos recebê-lo.

A Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) também reagiu ao anúncio, mas disse em nota que “permanece vigilante”.

“Qualquer passo em direção a uma desaceleração da Rússia é importante e já deveria ter sido dado. A Otan permanece vigilante e continuará monitorando a concentração injustificada de tropas russas dentro e ao redor da Ucrânia”, disse o oficial em uma breve nota.

Na quarta-feira, em seu discurso anual sobre o Estado da União, Putin alertou o Ocidente não cruzar as “linhas vermelhas” da Rússia, afirmando que Moscou responderá de modo “assimétrico, rápido e duro” a quaisquer provocações que considere descabidas. A ameaça vem em um momento de aumento da tensão com os Estados Unidos e a União Europeia, com troca de sanções, expulsões de diplomatas e aumento de atividades militares.

Com eleições parlamentares em cinco meses, Putin dedicou a maior parte do tempo a assuntos domésticos, como a vacinação contra a Covid-19 e os impactos econômicos da pandemia, prometendo expandir benefícios sociais e maiores investimentos em infraestrutura para melhorar a qualidade de vida.