Rússia anuncia que deixará a Estação Espacial Internacional 'após 2024'

A Rússia anunciou que não vai mais participar das operações da Estação Espacial Internacional (ISS) a partir de 2024, uma decisão ligada à guerra na Ucrânia e que rompe com uma tradição de manter a cooperação espacial com o Ocidente mesmo em momentos de tensão política. Em abril, uma promessa semelhante havia sido feita pelo país.

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O anúncio foi feito durante uma reunião entre o presidente, Vladimir Putin, e o chefe da agência espacial, Yuri Borisov, que assumiu o cargo há pouco mais de duas semanas.

— Você [Putin] sabe que estamos trabalhando no âmbito da cooperação internacional na Estação Espacial Internacional. É claro que cumpriremos todas as nossas obrigações com nossos parceiros, mas a decisão e a saída desta estação após 2024 foram tomadas — afirmou Borisov, citado pela agência Tass.

Resta saber se o anúncio vai de fato se confirmar: no final de abril, o então diretor da agência espacial russa, a Roscosmos, Dmitry Rogozin, também havia dito que seu país deixaria o consórcio de nações que controla a estação espacial desde o desenvolvimento e o lançamento dos primeiros módulos, no final do século XX.

Na época, ele afirmava que as sanções relacionadas à guerra na Ucrânia estavam ameaçando a própria segurança da estação espacial — dentre as principais funções da Rússia no projeto está o controle dos sistemas de propulsão, que ajudam a manter a estação em órbita. Rogozin, que deixou o posto sem muitas explicações, não mencionou mais a potencial saída. Recentemente, a Rússia retomou a parceria com os EUA para viagens até a ISS, usando foguetes russos e americanos, um plano que será mantido por enquanto, segundo Borisov.

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Caso se confirme, a saída russa do projeto também significará uma mudança em relação a uma política de décadas de cooperação espacial com o Ocidente, que sobreviveu mesmo a momentos tensos na diplomacia — declarações mais exaltadas, como em 2014, quando Rogozin sugeriu que os americanos usassem trampolins para ir ao espaço, tiveram bastante espaço em manchetes, mas pouco efeito prático. Em maio, depois da primeira ameaça russa de deixar a estação, a Nasa, agência espacial dos EUA, pediu a Moscou que evitasse usar o projeto com finalidades políticas.

Segundo Borisov, a saída da ISS ocorrerá de forma coordenada e pacífica.

Durante a reunião com Putin, ele afirmou que a decisão atende também às necessidades da própria economia da Rússia.

— A indústria está em uma situação difícil e vejo que minha principal tarefa, junto com meus colegas, não é cair, mas elevar o nível e, antes de tudo, fornecer à economia russa os serviços espaciais necessários — declarou Borisov, mencionando serviços como navegação, comunicações, transmissão por satélites e dados meteorológicos.

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O diretor da Roscosmos anunciou ainda que o projeto de uma nova estação espacial russa, a ROSS, deve ser concluído até o final do ano que vem, e prevê que os primeiros módulos começarão a ser montados no espaço em 2025.

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