Rússia anuncia troca no comando da agência espacial, e Nasa confirma retomada de parceria

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O presidente russo, Vladimir Putin, destituiu do cargo o chefe da Roskosmos, a agência espacial russa, Dmitry Rogozin, no cargo desde 2018. O decreto, emitido nesta sexta-feira, não traz explicações sobre a decisão e anuncia o nome do sucessor na função, Yuri Borisov, então vice-premier encarregado do complexo militar-industrial russo. Horas depois do anúncio, a Nasa, a agência espacial americana, anunciou a retomada de voos conjuntos entre os dois países.

Rogozin é um dos mais fiéis aliados de Putin, conhecido por suas declarações duras a favor do governo e, frequentemente, contra o Ocidente, incluindo durante seu período como embaixador do país junto à Otan (aliança militar liderada pelos EUA). Em 2014, depois de ser incluído na lista de sanções dos EUA, ligadas à anexação da Crimeia, afirmou que os astronautas americanos deveriam usar trampolins para chegar ao espaço, e não mais foguetes russos.

Desde o início da guerra na Ucrânia, passou a defender o que o Kremlin chama de “operação militar especial” com argumentos questionáveis, como em maio, quando disse que a Rússia poderia destruir todos os países da aliança militar liderada pelos EUA em “meia hora” usando seu arsenal nuclear.

Rogozin estava à frente da Roskosmos desde 2018, e havia muitos questionamentos sobre sua capacidade de liderar a agência no momento em que havia novos competidores no mercado aos veículos de transporte russos — em 2020, o país perdeu o monopólio para viagens de pessoas ao espaço depois da aprovação para uso dos foguetes produzidos pela SpaceX, do bilionário Elon Musk.

Também havia críticas ao que muitos viam como falta de visão de futuro para a agência, apontada como obsoleta e pouco eficiente. Mesmo assim, deixou o cargo confiante.

— Obrigado, meus camaradas, pelo seu serviço, pelas noites sem dormir, pelo estresse nos lançamentos de foguetes e pela felicidade que compartilhamos quando tudo deu certo para nós. Trabalhem, irmãos — afirmou, em entrevista à agência RIA. Ele disse anda estar feliz por estar diretamente envolvido no “renascimento do espaço russo”.

Segundo o secretário de Imprensa do Kremlin, Dmitry Peskov, a demissão não está ligada ao desempenho de Rogozin.

— Não, de forma alguma, isso não está relacionado a alguma reclamação, está tudo bem por lá — afirmou, citado pela Tass. — Rogozin será contratado em breve, ele começará em um novo cargo. Vamos informar sobre isso em tempo hábil.

Seu sucessor, Yuri Borisov, foi vice-ministro da Defesa russo e supervisionou o processo de modernização de equipamentos das Forças Armadas e, posteriormente, como vice-premier desde 2018. Segundo a Tass, ele foi responsável por questões relacionadas à indústria de defesa, supervisão de atividades de tecnologia nuclear, cooperação com outros países e pelo desenvolvimento do sistema de navegação por satélite Glonass.

Horas depois da mudança no comando da Roskosmos, a Nasa anunciou que retomará os voos em conjunto com a Rússia para a Estação Espacial Internacional, apesar das tentativas de Washington de isolar Moscou em meio à guerra na Ucrânia.

Em comunicado, a agência espacial dos EUA afirma que as viagens serão realizadas em equipamentos russos e americanos, e que a decisão foi tomada para “garantir a operação segura da Estação Espacial Internacional, proteger as vidas dos astronautas e garantir a presença dos EUA no espaço”.

Estão previstos dois voos com astronautas americanos a bordo de foguetes Soyuz, sendo que a primeira missão ocorrerá em setembro. Por sua vez, dois cosmonautas russos viajarão a bordo dos foguetes da SpaceX, com o primeiro lançamento também marcado para setembro.

Não se sabe se a decisão está ligada à saída de Rogozin da Roskosmos — recentemente, ele ameaçou interromper a participação russa na Estação Espacial Internacional se as sanções ligadas à guerra na Ucrânia não fossem suspensas.

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