Rússia aperta o cerco anti-LGBT

Para muitos, foi um duro golpe quando, em 2013, foi aprovada uma lei na Rússia contra a chamada "propaganda LGBT" entre menores. É um golpe ainda mais duro nos dias de hoje, quando o parlamento russo aprovou a primeira de três leituras de uma proposta de lei que alarga a interdição a toda a população.

Tenho metade da minha cara em titânio, sofri atos homofóbicos. Por isso, sou eu que estou traumatizado pelos efeitos da propaganda russa. Ela é mais nociva para mim do que o contrário.

"Não entendo. O Estado afirma que eu sou propaganda, que a minha personalidade é propaganda, que a minha vida é propaganda. Tenho metade da minha cara em titânio, sofri atos homofóbicos. Por isso, sou eu que estou traumatizado pelos efeitos da propaganda russa. Ela é mais nociva para mim do que o contrário", explica o ativista Boris Konakov.

Receia-se o aumento da intolerância e das denúncias perante o avanço da nova lei que proíbe a difusão de conteúdos que mostrem as denominadas "relações não-tradicionais" na internet, cinema e publicidade.

Alexander Khinshtein, um dos deputados proponentes, garante: "A nossa lei não é um ato de censura. Não proibimos o fenómeno LGBT, não impedimos ninguém de falar sobre ele. Dizemos apenas que a propaganda, a promoção ativa destes comportamentos como normais e talvez mesmo melhores do que as relações tradicionais, deve ser proibido".

O mesmo se prevê para todas as informações sobre mudança de género. As sanções podem ir de uma multa até à expulsão do país, se estiver em causa um cidadão estrangeiro.