Rússia ataca leste e sul da Ucrânia; EUA acusam Moscou de se preparar para anexar território

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, durante entrevista coletiva em Teerã

Por Natalia Zinets

KIEV (Reuters) - Forças russas bombardearam o leste e o sul da Ucrânia nesta quarta-feira, depois que Washington disse ter visto sinais de que Moscou estava se preparando para anexar formalmente o território que ocupa durante quase cinco meses de guerra.

Enquanto isso, a incerteza pairava sobre a retomada planejada para quinta-feira de um enorme gasoduto russo para a Europa, depois que o presidente russo, Vladimir Putin, alertou que sua capacidade poderia ser ainda mais reduzida devido ao lento progresso na manutenção de equipamentos.

Temendo que a Rússia possa interromper as entregas, a União Europeia estabelecerá planos de emergência para reduzir a demanda de gás dentro de meses.

Militares e políticos da Ucrânia relataram bombardeios russos pesados ​​e às vezes fatais em meio ao que eles disseram ter sido tentativas em grande parte malsucedidas das forças terrestres russas de avançar.

A inteligência militar britânica disse que a ofensiva da Rússia na região de Donbas, no leste, continuou a obter ganhos mínimos enquanto as forças ucranianas --as quais o Reino Unido ajuda-- mantiveram a linha. Mais de duas semanas se passaram desde o último grande ganho territorial da Rússia, a cidade de Lysychansk.

O Kremlin disse que não há limite de tempo para o que chama de "operação militar especial" para garantir sua própria segurança diante da expansão da aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e que fará o que for preciso para alcançar seus objetivos.

A Ucrânia e o Ocidente condenam o conflito como uma guerra não provocada de agressão da Rússia contra sua vizinha.

Cinco civis foram mortos e 16 ficaram feridos por bombardeios russos na região de Donetsk, e dois civis foram mortos por bombardeios na cidade de Nikopol, no sul, disseram os respectivos governadores regionais ucranianos no Telegram.

Roman Starovoit, governador da região russa de Kursk, que faz fronteira com a Ucrânia, escreveu no Telegram que as forças ucranianas bombardearam uma passagem de fronteira lá.

De acordo com a agência de notícias russa Tass, o prefeito de Horlivka, uma cidade na autoproclamada República Popular de Donetsk, apoiada pela Rússia, no leste da Ucrânia, disse que uma pessoa foi morta e três ficaram feridas, incluindo uma criança, pelo bombardeio ucraniano.

A Reuters não pôde verificar imediatamente os relatos ucranianos ou russos.

O ministro da Defesa russo, Sergei Shoigu, inspecionou as tropas que lutam na Ucrânia, informou seu ministério nesta quarta-feira. A pasta acrescentou que ele ordenou que mais seja feito para derrubar drones ucranianos que operam em regiões de fronteira e impedir que a Ucrânia bombardeie áreas das quais perdeu o controle.

Citando a inteligência dos EUA, o porta-voz de segurança nacional da Casa Branca, John Kirby, acusou a Rússia de preparar as bases para anexar o território ucraniano que havia tomado desde o início da guerra em 24 de fevereiro, uma afirmação que a embaixada russa em Washington disse que descaracteriza o que Moscou estava tentando fazer.

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