Rússia no centro das críticas por condenação de cantoras do Pussy Riot

A Rússia é alvo de uma onda de críticas pela condenação a dois anos de prisão das três integrantes do grupo de punk rock Pussy Riot, uma pena que pode ser reduzida em apelação, segundo alguns observadores.

No exterior, a sentença pronunciada contra Nadejda Tolokonnikova, de 22 anos, Yekaterina Samutsevich, de 30 anos, e Maria Alejina, de 24 anos, por terem entoado em fevereiro uma "oração punk" contra o atual presidente russo Vladimir Putin na catedral de Cristo Salvador em Moscou foi criticada imediatamente.

De Washington a Berlim, passando por Paris ou Bruxelas, a sentença foi classificada de "desproporcional" pelas potências ocidentais.

Diante da indignação provocada por esta condenação, o ministério russo das Relações Exteriores respondeu neste sábado em um comunicado que o código penal alemão prevê que "os crimes cometidos contra a religião e as opiniões, incluindo os atos de vandalismo nos locais de oração, sejam castigados com uma pena de prisão de até três anos ou com uma multa".

"O artigo 189 do código penal da Áustria prevê para os atos de vandalismo nas igrejas, que ofendam a moral, uma pena de prisão de até seis meses ou uma multa de até 360 dias de salário", acrescentou.

Por sua vez, Putin não disse nada sobre o tema até o momento, embora o porta-voz do presidente tenha ressaltado que a decisão depende do tribunal.

"Putin já disse em várias oportunidades que não tinha o direito de impor seu ponto de vista ao tribunal", declarou o porta-voz, segundo a agência Interfax.

Um deputado do governante partido Rússia Unida, Andrei Isaiev, considerou, no entanto, que o presidente ainda pode intervir.

Na Rússia, as opiniões estão divididas. "A pena que divide a sociedade: dois anos de prisão", é a manchete neste sábado do jornal popular Moskovski Komsomolets.

Segundo uma pesquisa realizada pela rádio independente Eco de Moscou, 77% dos ouvintes consideram que "não é possível estar de acordo" com a condenação.

"Dois anos é muito", escreveu, por sua vez, Komsomolskaya Pravda, que acredita, no entanto, em uma saída mais favorável para as três mulheres no futuro.

"Temos a sensação de que o tribunal de Moscou, após o pedido de apelação dos advogados, deixará apenas um ano e libertará estas tolas, para que possam estar com seus filhos e familiares", acrescentou o jornal.

Para Denis Dvornikov, membro de um órgão consultivo que assessora as autoridades, "tudo depende da apelação".

"No recurso, a pena será reduzida para que as presas possam sair um mês depois. Além disso, agora há razões de peso para que ocorra assim, após as declarações oficiais da Igreja" Ortodoxa, acrescentou.

A Igreja pediu na sexta-feira "clemência" para as três cantoras, "sem colocar em questão a legitimidade da decisão da justiça".

A atitude intransigente da hierarquia ortodoxa russa no caso Pussy Riot afetou a imagem da Igreja na sociedade e perturbou alguns fiéis, incluindo sacerdotes, para os quais perdoar as jovens teria sido mais compatível com os valores cristãos.

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