Rússia e China boicotam reunião do Conselho de Segurança sobre a Síria

A bandeiara da ONU na sede de Nova York

Rússia e China boicotaram nesta terça-feira (12) o que Moscou classificou como "inaceitável" videoconferência a portas fechadas do Conselho de Segurança da ONU sobre armas químicas na Síria.

"Rússia e China não apareceram" na tela, disse à AFP um membro do Conselho que pediu para não ser identificado.

Em uma entrevista coletiva virtual, o embaixador russo na ONU, Vassily Nebenzia, disse que Moscou fez um pedido: "Que a interação fosse em sessão aberta".

"Infelizmente, nossos parceiros ocidentais e seus aliados insistiram em manter a reunião a portas fechadas de maneira informal, apesar do perfil aberto e transparente do Conselho de Segurança", afirmou.

"Essa abordagem é inaceitável para os outros, pois prejudica as prerrogativas dos estados sobre a Convenção sobre Armas Químicas".

Nesta reunião mensal, os membros do Conselho deveriam ouvir o relatório do Alto Representante da ONU para o Desarmamento, Izumi Nakamitsu, e do chefe da Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPCW), Fernando Arias.

O Conselho também planejava ouvir Santiago Onate Laborde, coordenador de uma equipe de investigação e identificação da OPAQ que começou a operar em 2018.

Essa equipe divulgou um relatório no mês passado que, pela primeira vez, aponta diretamente para Damasco como responsável por três ataques com armas químicas em 2017.

Segundo Moscou, aliado de Damasco, a Síria interrompeu seu programa de armas químicas, destruiu seu arsenal e parou de produzi-las.

Damasco negou a responsabilidade pelos ataques de 2017.

A reunião desta terça foi agendada a portas fechadas para permitir que os membros do Conselho e a Síria "trocar suas opiniões com franqueza e fazer perguntas sobre os relatórios", informou a missão britânica na ONU.

A relutância em participar da reunião e analisar as conclusões dos especialistas "é decepcionante e mostra a preferência de alguns membros do conselho de minar a proibição de armas químicas, atacando os povos e as instituições encarregadas de protegê-las", afirmou a delegação britânica.