Rússia continua a bombardear Donetsk e EUA prometem nova ajuda militar a Kiev

AP - Nariman El-Mofty

Depois de quatro meses e meio de guerra, o exército russo prosseguia neste sábado (9) com os bombardeios incessantes na região de Donetsk (leste do país), ao mesmo tempo que o governo dos Estados Unidos prometeu uma nova ajuda militar a Kiev e o Reino Unido começou uma nova fase de apoio à Ucrânia, através de treinamento militar.

De acordo com uma fonte do Pentágono, a nova ajuda militar americana, de US$ 400 milhões (R$ 2,1 bilhões), inclui quatro sistemas lançadores de foguetes múltiplos Himars e mísseis de 155 mm. O objetivo é melhorar a capacidade ucraniana de atingir os depósitos de armas e as cadeias de suprimentos do exército russo.

Washington já concedeu US$ 6,9 bilhões (R$ 36,26 bilhões) em assistência militar a Kiev desde o início da invasão russa em 24 de fevereiro.

Além da ajuda, Washington aumentou a pressão a nível diplomático. O secretário de Estado americano, Antony Blinken, pediu ao governo da China que condene "a agressão" russa na Ucrânia durante um encontro neste sábado com o chanceler de Pequim, Wang Yi.

Treinamento

Além da ajuda financeira, um primeiro grupo de soldados ucranianos desembarcou esta semana no Reino Unido para receber treinamento, em uma nova fase de apoio à Ucrânia. Os militares são os primeiros de um grupo de 10.000 ucranianos que serão treinados em quatro bases britânicas durante os próximos quatro meses.

Com idades entre 18 e 60 anos, a maior parte deles nunca usou armas, de acordo com o ministério da Defesa ucraniano. Eles terão aulas de tiro, de primeiros socorros e de sobrevivência, ministradas por oficiais britânicos, sem ter que se preocupar com os bombardeios do Exército russo.

O secretário britânico da Defesa Ben Wallace, visitou uma das bases, na quinta-feira, 7 de julho, e parabenizou os recrutas pela motivação.

"Este programa ambicioso de treinamento é a próxima fase de apoio do Reino Unido às Forças Armadas da Ucrânia em sua luta contra a agressão russa", afirmou Wallace.

O programa, que Londres espera repetir, soma-se à formação que já é oferecida pelo exército britânico nas bases americanas e aos mais de € 2,5 bilhões (R$ 11,24 bilhões) de ajuda militar concedidos ao país.

O presidente ucraniano Volodymyr Zelensky foi um dos primeiros a reagir ao anúncio da demissão do primeiro-ministro britânico Boris Johnson. Ele expressou sua “tristeza”, porque o Reino Unido foi é um dos países que mais apoiou a Ucrânia desde o começo da guerra.

Inação

Zelensky, fez uma advertência neste sábado sobre os riscos de inação diante da Rússia: "Os olhos de todos os movimentos e regimes políticos agressivos do mundo estão voltados para o que a Rússia está fazendo conosco", escreveu no Instagram. "O mundo conseguirá levar à justiça os verdadeiros criminosos de guerra?", perguntou, antes de alertar para o risco de "centenas de outras agressões" se o mundo não reagir.

O presidente ucraniano anunciou que passou a sexta-feira (8) na região de Dnipro (centro) e felicitou "a todos os muçulmanos da Ucrânia e do mundo" por ocasião do Eid al-Ada, a Festa do Sacrifício. Também afirmou aos tártaros da Crimeia – península anexada pela Rússia em 2014 – que chegará o dia em que "vamos nos parabenizar em uma Crimeia livre".

O ministério da Defesa da Rússia afirmou que o exército do país provocou importantes perdas aos ucranianos nas regiões de Mykolaiv e Dnipro (sul e centro do país, respectivamente), e anunciou bombardeios em Kharkiv e Donetsk.

Ao bombardear a região de Donetsk, onde prosseguem as retiradas de civis, Moscou tenta assumir o controle de toda a bacia do Donbass, seu objetivo estratégico desde que se retirou no fim de março da região de Kiev.

No campo de batalha, o Estado-Maior ucraniano relatou neste sábado novos bombardeios russos no leste do país e em Kharkiv, mas sem uma ofensiva terrestre, exceto uma tentativa em Dolomitne, perto de Bakhmut (leste).

(Emeline Vin, correspondente da RFI em Londres e AFP)

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