Rússia controla 'maior parte' de importante cidade ucraniana no Donbass

As tropas russas controlam nesta terça-feira (31) "a maior parte" da cidade ucraniana de Severodonetsk, um importante enclave no Donbass, anunciaram as autoridades regionais, poucas horas depois que a União Europeia aprovou um embargo ao petróleo de Moscou.

"Tragicamente, hoje os soldados russos controlam a maior parte da cidade", disse o governador de Lugansk, Sergei Gaidai, que horas antes descreveu a situação como "ultracomplicada".

As tropas já ocupavam metade do local, conforme confirmou seu prefeito, Oleksandre Striuk. "Mas a cidade ainda está se defendendo, ainda é ucraniana e nossos soldados estão defendendo", acrescentou.

Severodonetsk é um dos focos dos combates na região de Lugansk, no Donbass, uma área de mineração no leste da Ucrânia, onde Moscou concentra sua ofensiva depois de não ter conseguido conquistar Kiev.

Com a vizinha Lysychansk, na outra margem do rio Donets, Severodonetsk está localizada a apenas 80 km de Kramatorsk, a capital administrativa de Donbass sob controle de Kiev. Ambas as cidades têm sofrido constantes bombardeios russos há semanas.

Na terça-feira, os ataques atingiram um tanque de ácido nítrico em uma fábrica de produtos químicos na cidade, informou Gaidai.

“Não saiam dos abrigos”, pediu à população, lembrando que este composto “é perigoso se inalado” e pode causar lesões pulmonares ou perda de visão.

O Conselho Norueguês para os Refugiados afirmou nesta terça-feira que pode haver cerca de 12.000 civis em Severodonetsk, que tinha cerca de 100.000 habitantes antes da guerra.

A justiça ucraniana identificou 15.000 casos de crimes de guerra na região de Donbass desde o início da guerra, apontou a procuradora-geral do país, Iryna Venediktova, em Haia.

Entre os crimes, citou torturas, assassinatos, destruição de infraestrutura civil e transferências de pessoas.

Horas antes, um tribunal condenou dois soldados russos a 11 anos e meio de prisão por bombardear dois povoados na região de Kharkov, no nordeste da Ucrânia, com um lançador de mísseis múltiplo.

- Embargo ao petróleo -

As forças de Moscou estreitam seu cerco sobre o leste da Ucrânia. Em Donetsk, quatro pessoas morreram e sete ficaram feridas, segundo o governador regional de Donetsk, Pavlo Kyrylenko.

Diante dessa situação, a União Europeia elevou a pressão econômica sobre a Rússia com um sexto pacote de sanções que inclui um embargo às importações de petróleo e restrições bancárias.

O embargo acordado na noite de segunda-feira pelos 27 Estados-membros afeta atualmente o petróleo transportado por navio, que representa dois terços do total importado da Rússia, mas deve ser estendido para 90% até o final do ano.

Esta exceção temporária permitirá que a Hungria continue recebendo petróleo por oleoduto, uma vez que é altamente dependente do petróleo bruto de Moscou e se opôs a um embargo total.

O presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, afirmou que a medida servirá para cortar "uma enorme fonte de financiamento" para a "máquina de guerra" russa. "Pressão máxima sobre a Rússia para acabar com a guerra", disse.

Os acordos da cúpula da UE também incluem um pacote de 9 bilhões de euros (9,63 bilhões de dólares) para apoiar a economia ucraniana e a exclusão de três bancos russos do sistema financeiro internacional SWIFT.

Entre eles está a maior entidade do país, o Sberbank, que nesta terça-feira disse que continuaria funcionando "normalmente".

A cúpula europeia termina hoje com um segundo dia dedicado à transição energética necessária para poder prescindir do gás russo.

Mas vários líderes europeus defenderam a necessidade de uma "pausa" nas sanções e alguns até descartaram um futuro embargo ao gás.

A Rússia já cortou o fornecimento de gás para vários países que se recusam a pagar em rublos, a moeda local. Entre eles, os Países Baixos, Polônia, Bulgária e Finlândia.

- Corredores para exportar cereais -

Em Bruxelas, os líderes europeus também devem lidar com a ameaça da crise humanitária global devido à guerra na Ucrânia, que não consegue exportar sua enorme produção de cereais desde o início do conflito.

Kiev e seus aliados ocidentais acusam Moscou de praticar um bloqueio marítimo aos portos ucranianos no Mar Negro, embora a Rússia negue e atribua a situação às sanções internacionais contra seu país.

A Turquia, membro da Otan e país fronteiriço do Mar Negro com relações fluidas com Moscou, receberá em 8 de junho uma visita do ministro das Relações Exteriores da Rússia, Serguei Lavrov, para discutir a implantação de "corredores seguros" para o transporte de grãos ucranianos.

Na véspera, o presidente russo, Vladimir Putin, disse estar disposto a trabalhar com este país na livre circulação de mercadorias no Mar Negro, incluindo cereais da Ucrânia.

A União Europeia também está à procura de uma solução. O presidente francês, Emmanuel Macron, cujo país detém a presidência rotativa da UE, afirmou que propôs a Putin adotar uma resolução da ONU para "dar um marco muito claro" ao levantamento do bloqueio russo ao porto de Odessa, um dos maiores.

Na pendência de um eventual desbloqueio, os separatistas pró-Rússia anunciaram nesta terça-feira a reativação da atividade portuária em Mariupol, agora sob o controle de Moscou após quase três meses de cerco.

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