Rússia convoca embaixador dos EUA por 'interferência eleitoral'

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Uma foto tirada em 15 de junho de 2020 em Moscou mostra o embaixador dos EUA na Rússia, John Sullivan, falando à imprensa do lado de fora do Tribunal da cidade de Moscou (AFP/Kirill KUDRYAVTSEV)

A Rússia anunciou nesta sexta-feira que convocou o embaixador dos Estados Unidos, para apresentar ao mesmo provas de violações cometidas por gigantes digitais americanas antes das eleições legislativas deste mês na Rússia.

Autoridades russas acusam Google, Facebook e Apple de fomentarem movimentos de oposição ao Kremlin. Washington e Moscou se acusam regularmente de interferências mútuas.

Em comunicado publicado em seu site, a diplomacia russa informa que o diplomata convocado, John Sullivan, reuniu-se com o vice-ministro russo das Relações Exteriores, Serguéi Riabkov.

"Destacou-se durante a discussão que o lado russo possui provas irrefutáveis de uma violação da legislação russa por parte das gigantes digitais americanas no contexto do preparo e realização das eleições na Duma (câmara baixa do Parlamento)", diz a nota.

O ministério acrescenta que havia destacado a Washington o "caráter absolutamente inadmissível de uma interferência nos assuntos internos", mas não especificou qual foi a violação.

Citado pela agência Ria Novosti, o porta-voz da embaixada dos Estados Unidos, Jason Rebholz, disse que os dois diplomatas discutiram "uma série de questões bilaterais, seguindo a vontade do presidente Biden de ter relações estáveis" com Moscou.

Rebholz não mencionou as acusações em questão, o que levou à reação da porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Rússia, Maria Zakharova: "Existe apenas um motivo para essa convocação: uma interferência nas eleições russas", afirmou em sua conta no aplicativo Telegram.

A convocação aconteceu depois que o órgão de controle das telecomunicações da Rússia, o Roskomnadzor, emitiu na semana passada uma advertência contra a Apple e Google pela sua rejeição de eliminar o aplicativo do opositor russo preso Alexei Navalny.

A Rússia realizará eleições parlamentares de 17 a 19 de setembro sem a participação dos aliados de Navalny, que foram excluídos das votações ou obrigados a se exilarem desde que suas organizações foram proibidas em junho e declaradas "extremistas".

Navalny, condenado em fevereiro a dois anos e meio de prisão em um caso que ele denuncia como político, pediu aos seus apoiadores que usem seu aplicativo para encontrar e votar nos candidatos com mais chances de vencer os do Kremlin.

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