Rússia diz que americanos capturados na Ucrânia 'cometeram crimes' e devem 'responder por eles'

O secretário de Imprensa do Kremlin, Dmitry Peskov, afirmou, nesta segunda-feira, que dois cidadãos americanos capturados na Ucrânia, em meio à invasão militar, “são mercenários” que estavam colocando em risco a vida de russos, e que devem “responder por estes crimes”. Os homens faziam parte de uma unidade de combatentes estrangeiros, e o Departamento de Estado confirmou, no sábado, que eles foram capturados pelos russos. Um terceiro americano está desaparecido no país desde abril.

— Eles são mercenários e estiveram envolvidos em atividades ilegais no território da Ucrânia, em disparos e bombardeios contra nosso pessoal militar. Puseram suas vidas em perigo — disse Dmitry Peskov, em entrevista à NBC News. — Eles devem responder pelos crimes que cometeram. Esses crimes devem ser investigados.

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As declarações foram as primeiras do Kremlin sobre o caso dos dois americanos, que desapareceram durante um ataque russo contra uma vila a cerca de 40 km de Kharkiv, no dia 9 de junho. Eles faziam parte de um batalhão de combatentes estrangeiros, e suas imagens chegaram a ser exibidas por uma TV estatal russa na semana passada.

Os dois prisioneiros dos russos são Alex Drueke, ex-sargento do Exército americano que serviu duas vezes no Iraque, e Andy Tai Ngoc Nuynh, um ex-fuzileiro, segundo informações de suas famílias. Sobre um terceiro americano desaparecido na Ucrânia, Grady Kurpasi, ex-capitão dos fuzileiros navais, não se tem notícias desde abril, de acordo com parentes.

Durante a entrevista, Peskov afirmou desconhecer quais teriam sido os delitos dos dois homens, repetidamente chamados de “mercenários” e de “soldados da fortuna”, e apontou que, como eles não fazem parte das Forças Armadas regulares da Ucrânia, não estão protegidos pelas Convenções de Genebra sobre prisioneiros de guerra.

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De acordo com as convenções, todos aqueles capturados em um conflito armado precisam ser tratados de forma humana e não podem ser processados pela participação nas hostilidades, a não ser em casos de crimes de guerra.

Peskov também não revelou quem mantém os dois americanos sob custódia: ao longo da ofensiva russa, muitos dos prisioneiros estão sob poder de forças separatistas pró-Moscou nas regiões de Luhansk e Donetsk — segundo a TV RT, controlada pelo Estado russo, os dois se renderam aos militares da Rússia e estão em um centro de detenção mantido pelos aliados de Moscou.

No começo do mês, as autoridades de Donetsk condenaram dois britânicos e um marroquino à morte por terem lutado ao lado dos ucranianos. Quando questionado se os americanos poderiam receber a mesma pena, Peskov disse que “depende da investigação”.

Até o momento, o governo dos EUA não comentou a entrevista do porta-voz do Kremlin. Na sexta-feira, o presidente Joe Biden afirmou que o paradeiro dos dois ainda era desconhecido. Um dia depois, o Departamento de Estado confirmou que eram mesmo os dois que apareciam nas imagens divulgadas pelos russos.

— Estamos monitorando de perto da situação e nossos corações estão com as suas famílias neste difícil momento — disse um porta-voz do Departamento de Estado à AFP.

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