Rússia diz que ataque ucraniano em Donetsk matou 63 soldados; Kiev diz que número é maior

O Ministério da Defesa da Rússia disse nesta segunda-feira que 63 de seus soldados morreram após um ataque ucraniano na cidade de Makiivka, na disputada região de Donetsk. A cifra, contudo, é contestada por Kiev, que diz ter matado "cerca de 400" homens inimigos na operação, que usou os poderosos foguetes Himars enviados pelos Estados Unidos.

Segundo o Ministério da Defesa russo, que não precisou a data do episódio, "quatro mísseis" atacaram um centro de mobilização temporária em Makiivka, na região metropolitana da cidade de Donetsk, capital da região homônima. Já Kiev, sem assumir a autoria do ataque, disse que "cerca de 400" soldados morreram e outros 300 ficaram feridos, números que não puderam ser confirmados.

Donetsk foi um dos quatro territórios anexados unilateralmente pelos russos em setembro, após contestados referendos — as outras três regiões foram Luhansk, vizinha no Leste, e Zaporíjia e Kherson, no Sul. Nenhuma das áreas foi completamente controlada pelos russos, e Donestk em particular é uma das frentes mais ativas da guerra, apesar de poucas novidades na geografia local da guerra nos últimos meses.

Autoridades regionais pró-Rússia confirmaram que houve vítimas, e um porta-voz classificou o episódio com um "revés maciço", sem falar em números. No Telegram, um canal de comunicação estratégica do Exército ucraniano disse que o ataque foi realizado pelos ucranianos usando o poderoso Sistema Americano de Foguetes de Artilharia de Alta Mobilidade (Himars, na sigla em inglês), enviado pelos EUA.

A arma é capaz de disparar foguetes guiados por satélite que carregam aproximadamente o mesmo poder explosivo de uma bomba de 500 libras (227 kg) lançada do ar. O sistema pode atingir alvos a até 80 quilômetros de distância, e tem sido essencial para a bem-sucedida contra-ofensiva ucraniana do último trimestre.

O prédio atingido foi caracterizado por russos e ucranianos como uma escola técnica que abrigava temporariamente os soldados russos. Segundo Igor Girkin, que comandava tropas pró-Rússia no Leste da Ucrânia e se tornou um dos analistas militares mais proeminentes do país, o prédio ficou "quase completamente destruído" porque havia munição armazenada no prédio e que o número exato de mortos é desconhecido porque já muitas pessoas soterradas.

Daniil Bezsonov, liderança pró-Rússia na região, o míssil caiu em Makiivka dois minutos depois da meia-noite do dia 1°, afirmando que "há mortos e feridos, mas o número exato ainda é desconhecido”. O blogueiro pró-Kremlin Rybar disse que há cerca de 70 mortes confirmadas e mais de 100 feridos, e vídeos que circulam nas redes sociais, cuja autenticidade não pôde ser confirmada, mostram bombeiros e equipes de resgate no local.

"O que aconteceu em Makiivka é horrível", escreveu no Telegram Archangel Spetznaz Z, analista com mais de 700 mil seguidores no Telegram. "Quem teve a ideia de pôr um grande número de soldados em um único prédio grande, onde até mesmo um idiota entende que se o prédio for alvo de artilharia, haverá muitos mortos ou feridos?"

Segundo Girkin, os mortos foram principalmente recrutas recém-mobilizados. Em 22 de setembro, Putin ordenou uma mobilização parcial dos russos, que despertou protestos de uma população que apoia cada vez menos uma ofensiva em curso há 11 meses — e que o próprio presidente já admitiu que pode demorar.

A Ucrânia, por sua vez, diz que suas sirenes começaram a soar em regiões no Sul, Leste, Centro e Norte da Ucrânia pouco antes da meia-noite desta segunda (horário local), e explosões foram ouvidas em Kiev cerca de uma hora depois. O comando militar ucraniano disse que abateu 39 drones desde a madrugada.

No Telegram, o prefeito da capital, Vitali Klitschko, afirmou que os ataques danificaram infraestruturas de energia e afetaram o aquecimento da população em pleno inverno. O Kremlin começou a mirar instalações energéticas em setembro, em meio à bem-sucedida ofensiva ucraniana e após a explosão danificou a ponte que liga a Península da Crimeia, anexada por Moscou em 2014.

Os militares ucranianos dizem ter derrubado no fim de semana 45 drones kamikazes comprados do Irã — os artefatos têm capacidade de esperar ao redor do alvo até que recebam a instrução para mergulhar e explodirem no impacto. Os lançamentos nos últimos dias também incluíram mísseis de cruzeiro, alguns dos quais atingiram seus alvos.