Rússia diz que EUA planejam atacar Damasco e promete resposta militar

MOSCOU (Reuters) - A Rússia informou nesta terça-feira que possui informações de que os Estados Unidos planejavam bombardear o quarteirão do governo em Damasco sob um pretexto inventado, e disse que irá responder militarmente caso sentir que vidas russas foram ameaçadas por um ataque de tal tipo.

Valery Gerasimov, chefe do Estado-Maior da Rússia, afirmou que Moscou possuía informações que rebeldes no enclave de Ghouta Oriental estavam planejando falsificar um ataque a armas químicas contra civis e colocar a culpa no Exército sírio.

    Ele disse que os EUA tinham intenção de usar o ataque falso como um pretexto para bombardear o quarteirão do governo em Damasco, onde ele disse que assessores militares, policiais militares e monitores russos de cessar-fogo estavam sediados.

    “No evento de uma ameaça às vidas de nossos militares, as Forças Armadas da Rússia irão tomar medidas retaliatórias contra os mísseis e lançadores usados”, disse Gerasimov em comunicado.

    Ele não afirmou quando o suposto ataque iria acontecer ou forneceu evidências detalhadas para apoiar suas afirmações.

    Em Washington, o Pentágono informou que a Rússia deveria focar em impedir que o presidente sírio, Bashar al-Assad, mire civis inocentes.

    “Nós pedimos para a Rússia parar de criar distrações e forçar o regime Assad a parar de brutalizar cidadãos sírios inocentes e permitir que ajuda necessária chegue ao povo de Ghouta Oriental e outras áreas remotas”, disse o porta-voz do Pentágono, Eric Pahon.

    “Ao permitir a brutalidade do regime de Assad, a Rússia é moralmente cúmplice e responsável pelas atrocidades de Assad”, acrescentou Pahon.

    Durante a ofensiva do Exército da Síria em Ghouta Oriental, mais de 1.100 civis morreram, segundo o escritório para questões humanitárias da Organização das Nações Unidas. As forças de Assad, apoiadas pela Rússia e pelo Irã, dizem que estão mirando grupos “terroristas” que atacam a capital.

(Reportagem de Andrew Osborn, em Moscou, e Idrees Ali, em Washington)