Rússia diz que sanções "destrutivas" não atingiriam Putin pessoalmente

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Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Moscou
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Por Dmitry Antonov e John Irish

MOSCOU/PARIS (Reuters) - A Rússia avisou nesta quarta-feira que a imposição de sanções sobre o presidente Vladimir Putin pessoalmente não o afetaria, mas que isso seria "politicamente destrutivo", após o presidente dos Estados Unidos, Joe Biden, dizer que consideraria tal medida caso a Rússia invadisse a Ucrânia.

Biden disse na terça-feira que as sanções pessoais contra Putin, embora sejam uma medida rara, poderiam ser consideradas partes de uma iniciativa dos Estados Unidos e de seus aliados para convencer Moscou de que qualquer nova agressão contra a Ucrânia traria custos imensos e rápidos.

O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse que os deputados e senadores norte-americanos que discutem sanções pessoais contra os principais líderes russos estão ignorando o fato de que eles são legalmente impedidos de possuir ativos, propriedades e contas bancárias no exterior.

As sanções individuais contra Putin não seriam "dolorosas, mas destrutivas politicamente", disse Peskov, que já disse anteriormente que as medidas resultariam no agravamento das relações diplomáticas.

Enquanto autoridades começaram negociações entre quatro partes em Paris, a Rússia realizou novos exercícios militares terrestres e marítimos e deslocou mais tropas de paraquedistas e caças de combate para Belarus, ao norte da Ucrânia, para o que descreveu como exercícios conjuntos que serão realizados lá no próximo mês.

A Ucrânia disse que a Rússia, que reuniu dezenas de milhares de tropas próximas à fronteira mas negou os planos de invasão, estava tentando semear o pânico. O ministro das Relações Exteriores ucraniano, Dmytro Kuleba, disse que Moscou não havia ainda acumulado forças suficientes para uma ofensiva em grande escala, mas que isso não significava que não podia fazê-lo depois.

Quase oito anos depois da Rússia tomar a Crimeia e apoiar guerrilheiros separatistas em Donbass, no leste da Ucrânia, a ex-República soviética se tornou o ponto crítico do potencial confronto mais perigoso entre Ocidente e Oriente desde a Guerra Fria.

A Rússia diz que a crise está sendo impulsionada pela aliança militar Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) e pelas sanções da aliança, e exige garantias de segurança do Ocidente, incluindo uma promessa da Otan de nunca admitir a Ucrânia na aliança. Moscou vê a Ucrânia como um tampão de proteção entre a Rússia e os países da Otan.

Aliados ocidentais já ameaçaram sanções econômicas contra a Rússia se o país atacar a Ucrânia, e os Estados Unidos negociam com países e empresas produtores de energia pelo mundo sobre um possível desvio do fornecimento à Europa caso ocorra a invasão da Ucrânia pela Rússia.

A UE depende da Rússia por cerca de um terço do fornecimento de gás. Qualquer interrupção nas importações russas pode exacerbar uma crise energética causada pela escassez.

Em Paris, autoridades de França, Alemanha, Rússia e Ucrânia iniciaram negociações sobre a guerra em Donbass, na qual 15 mil pessoas já foram mortas desde 2014.

Andriy Yermak, chefe de gabinete do presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelenskiy, classificou as conversas como "um sinal forte em direção à paz no leste da Ucrânia".

(Reportagem adicional de Natalia Zinets, Pavel Polityuk, Matthias Williams, Tom Balmforth, Vladimir Soldatkin, Gabrielle Tétrault-Farber, Maria Kiselyova, Andrew Osborn e Alexander Marrow)

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