Rússia diz que trégua unilateral entrou em vigor na Ucrânia e situação na linha de frente é incerta

Militar ucraniano dispara artilharia contra tropas russas na região ucraniana de Zaporizhzhia

Por Olena Harmash e Herbert Villarraga

KIEV/BAKHMUT, Ucrânia (Reuters) - Um cessar-fogo unilateral na Ucrânia, declarado pelo presidente russo, Vladimir Putin, entrou oficialmente em vigor nesta sexta-feira, mas as horas que antecederam a trégua viram combates renovados, com Kiev rejeitando a medida e classificando-a como um truque.

O Canal 1 da televisão estatal russa disse que o cessar-fogo começou ao meio-dia no horário de Moscou "ao longo de toda a linha de contato" no conflito.

A Reuters não pôde estabelecer imediatamente se houve realmente alguma pausa nos combates.

Putin ordenou o cessar-fogo de 36 horas na guerra de 10 meses em um movimento surpresa na quinta-feira, dizendo que a pausa marcaria o Natal cristão ortodoxo russo.

Mas a Ucrânia e seus aliados ocidentais rejeitaram a medida, chamando-a de estratagema com o objetivo de dar a Moscou tempo para reforçar tropas e equipamentos ao longo da frente oriental.

Mais cedo na manhã de sexta-feira --véspera de Natal para russos e muitos ucranianos cristãos ortodoxos-- projéteis russos atingiram Kramatorsk, uma cidade ucraniana perto da linha de frente na região industrial de Donetsk que a Rússia reivindica como seu território, disse o prefeito da cidade.

"Kramatorsk está sob fogo. Fiquem em abrigos", disse o prefeito Oleksandr Honcharenko nas redes sociais. Ele não deu detalhes dos danos.

Pouco depois de o cessar-fogo entrar em vigor, autoridades apoiadas pela Rússia acusaram a Ucrânia de bombardear a cidade de Donetsk com artilharia, informou a agência de notícias estatal russa Tass.

Apesar dos alertas de ataque aéreo soarem em várias regiões, nenhum grande ataque aéreo foi reportado pelas autoridades ucranianas após o início do cessar-fogo.

As batalhas não haviam diminuído anteriormente durante a temporada festiva, e a Rússia montou ondas de ataques aéreos no Ano Novo, geralmente uma época de comemoração na Ucrânia e na Rússia.

A Rússia invadiu a Ucrânia em 24 de fevereiro do ano passado, iniciando uma guerra que matou dezenas de milhares de pessoas, deslocou milhões, e reduziu cidades a escombros.

Com apoio financeiro e armas dos Estados Unidos e da Europa, a Ucrânia expulsou a Rússia de parte de seu território, mas as batalhas estão ocorrendo nas cidades do leste e do sul.

Entre os campos de batalha mais intensos está a cidade de Bakhmut, ainda nas mãos dos ucranianos, apesar de meses de ataques das forças russas que deixaram grande parte dela em ruínas.

No anúncio surpresa de Putin na quinta-feira, ele ordenou unilateralmente que suas tropas observassem um cessar-fogo a partir de sexta-feira até a véspera e o dia de Natal ortodoxos russos.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, rejeitou a ideia de imediato, dizendo que o objetivo era deter o avanço das forças ucranianas em Donetsk e na região leste de Donbass e trazer mais forças de Moscou.

"Eles agora querem usar o Natal como disfarce, ainda que brevemente, para deter os avanços de nossos meninos em Donbass e trazer equipamentos, munições e tropas mobilizadas para mais perto de nossas posições", disse Zelenskiy em seu discurso de vídeo na noite de quinta-feira.

"O que isso vai dar a eles? Apenas mais um aumento em suas perdas totais."

(Reportagem das redações da Reuters)