Rússia faz ameaças após restrições sobre o tráfego para o enclave de Kaliningrado

A Rússia ameaçou nesta segunda-feira responder à introdução de restrições "hostis" sobre o trânsito de algumas mercadorias via Lituânia para seu enclave de Kaliningrado, consequência das sanções europeias ligadas à ofensiva de Moscou na Ucrânia.

Este caso acentua as tensões entre a Rússia e os países ocidentais, principalmente os Estados bálticos que expressaram firme apoio a Kiev desde o início do conflito.

Moscou informou que Vilnius introduziu no fim de semana restrições sobre o trânsito por via férrea de mercadorias afetadas pelas sanções europeias em direção a Kaliningrado, um enclave estratégico e militarizado que separa do resto do território russo.

"Nós reclamamos a suspensão imediato das restrições", declarou o ministério russo das Relações Exteriores em um comunicado, chamando tais medidas de "hostis".

Se o trânsito "não for totalmente restabelecido, a Rússia se reserva o direito de agir para defender seus interesses nacionais", advertiu, acrescentando que o responsável pelos assuntos lituanos em Moscou foi convocado ao ministério.

"A situação é mais do que séria", declarou o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov, estimando que uma "análise aprofundada era necessária para elaborar respostas".

Moscou, para quem as sanções violam o acordo Rússia-UE de 2002, não informou quais medidas de represália estavam sobre a mesa.

- Sanções europeias -

As relações entre a Rússia e os países bálticos, incluindo a Lituânia, são delicadas há anos.

Primeira república soviética a declarar sua independência em 1990, a Lituânia, como Letônia e Estônia, é hoje membro da Otan e da União Europeia. Esses Estados se consideram "na linha de frente" contra a Rússia.

O governo lituano indicou que as restrições denunciadas por Moscou são consequência das sanções impostas pela União Europeia em conexão com a intervenção militar russa na Ucrânia.

"Não é a Lituânia, são as sanções europeias que começaram a funcionar a partir de 17 de junho", declarou o chefe da diplomacia lituana, Gabrielius Landsbergis, em Luxemburgo.

Neste contexto, "as mercadorias sancionadas (...) deixarão de ser autorizadas a transitar pela Lituânia", especificou o ministro, sublinhando que esta medida foi aplicada de acordo com as "diretivas da Comissão Europeia".

Kiev expressou apoio à Lituânia. "A Rússia não tem o direito de ameaçar a Lituânia", declarou o chefe da diplomacia, Dmytro Kouleba. "Saudamos a posição de princípio da Lituânia e apoiamos fortemente os nossos amigos lituanos", acrescentou no Twitter.

Descrevendo a situação como "desagradável, mas superável", o governador de Kaliningrado, Anton Alikhanov, anunciou que as mercadorias que não podiam mais ser transportadas por ferrovia começariam a ser transportadas por mar "dentro de uma semana".

Ele acusou os lituanos de estabelecer um "bloqueio" e estimou que entre 40% e 50% das importações do enclave poderiam ser afetadas pelas restrições, de carvão a metais a materiais de construção e bens tecnológicos.

O chefe da diplomacia lituana, Gabrielius Landsbergis, falou sobre ferro e produtos feitos de minério de ferro.

A região russa de Kaliningrado é um enclave à beira do Mar Báltico, separado do resto da Rússia e fazendo fronteira com a Polônia a oeste e a Lituânia a leste.

A cidade de Kaliningrado era uma cidade prussiana chamada Königsberg até ser conquistada pela União Soviética em 1945, quando derrotou a Alemanha nazista.

Com a independência dos Estados bálticos da URSS em 1991, o território ficou sem litoral, mantendo-se uma área estratégica em um contexto de crescentes tensões entre a Rússia e o Ocidente por dez anos.

É lá que fica ancorada a frota russa do Báltico e Moscou afirma ter implantado no enclave mísseis Iskander, capazes de transportar ogivas nucleares.

bur/mr

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