Rússia impõe restrições para conter variante Delta, que preocupa o mundo

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Membros da polícia e da Guarda Nacional da Rússia na Praça Vermelha de Moscou

A Rússia anunciou, nesta segunda-feira (28), novas restrições para conter o avanço do coronavírus, que provocou recordes de mortes nas duas maiores cidades do país, muito afetadas pela variante Delta, que está em propagação pelo mundo e é responsável pela suspensão na abertura de atividades em países impacientes por retornar à normalidade.

Moscou, que registrou 124 mortes nas últimas 24 horas, e São Petersburgo, com 110, superaram nesta segunda os recordes diários de óbitos por covid que haviam contabilizado durante o fim de semana (114 e 107, respectivamente).

Impactada pela chegada da variante Delta, a Rússia sofre com a aceleração da pandemia há algumas semanas. Com quase 134.000 mortes e mais de 5,4 milhões de casos, segundo o balanço oficial, é o país europeu mais afetado pela pandemia. A agência de estatísticas Rosstat contabiliza 270.000 vítimas fatais até o fim de abril.

A capital é o epicentro da nova onda: 2.000 pessoas em média são hospitalizadas diariamente por covid-19 e quase 75% dos leitos disponíveis já estão ocupados, afirmou o prefeito Serguei Sobianin.

Tudo isso acontece apesar da aplicação progressiva de medidas restritivas, como o retorno ao teletrabalho de parte da população, a vacinação obrigatória para trabalhadores do setor de serviços e a criação de um certificado de saúde para entrar em restaurantes a partir desta segunda-feira.

Mas um confinamento geral, como o que foi aplicado no início de 2020, não é contemplado atualmente nesta cidade de 12 milhões de habitantes.

A onda de contágios na Rússia coincide com a celebração da Eurocopa, que tem São Petersburgo como uma de suas sedes. Na sexta-feira, uma partida das quartas de final do torneio será disputada na cidade, como estava previsto, segundo a organização do torneio.

- Novas estratégias -

A variante Delta, identificada pela primeira vez na Índia, é mais contagiosa e está presente em pelo menos 85 países, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o que provoca temores de novas ondas pandêmicas, apesar das campanhas de vacinação.

A variante obrigou alguns países a revisar suas estratégias, com medidas reforçadas ou o adiamento da suspensão das restrições.

Na África do Sul, o presidente Cyril Ramaphosa anunciou no domingo novas medidas no país, o mais afetado da África, que registra 1,9 milhão de casos e 59.500 mortes.

"Enfrentamos uma onda devastadora e tudo indica que será pior que as anteriores", alertou o presidente, ao anunciar a proibição de todas as reuniões, tanto em locais fechados como ao ar livre, com exceção de enterros, que terão um limite de 50 participantes.

A venda de bebidas alcoólicas também foi proibida, o toque de recolher foi ampliado em uma hora e as escolas permanecerão fechadas até sexta-feira.

Na Austrália, que tem cinco milhões de pessoas confinadas em Sydney, as restrições também foram reforçadas em cidades como Darwin, Brisbane ou Perth.

Bangladesh interrompeu praticamente todos os transportes públicos antes de impor um confinamento rígido a partir de quinta-feira. Apenas os serviços essenciais e as fábricas que trabalham para a exportação estão autorizadas a prosseguir com as atividades.

- Itália, país de "baixo risco" -

No outro lado da moeda, a Itália suspendeu nesta segunda-feira a obrigatoriedade o uso de máscara ao ar livre, um marco para o país que foi o primeiro na Europa a sofrer uma onda de contágios de covid-19, no primeiro trimestre de 2020.

O ministério da Saúde classificou pela primeira vez as 20 regiões da península como "brancas", ou seja, de baixo risco. O toque de recolher chega ao fim nesta segunda-feira à noite em Vale de Aosta, última região italiana que prosseguia com a medida.

"Mas a batalha não foi vencida", admitiu na sexta-feira o ministro italiano da Saúde, Roberto Speranza, em uma referência às variantes mais contagiosas do vírus, em particular a Delta. A Itália acumula mais de 4,25 milhões de contágios e 127.418 mortes.

A pandemia provocou mais de 3,92 milhões de mortes no mundo desde dezembro de 2019, de acordo com um balanço da AFP com base nos dados oficiais divulgados pelos países.

Estados Unidos seguem como o país com o maior número de mortes (603.967) e contágios (33.625.039), mas nas últimas 24 horas as nações com mais óbitos foram Índia (979), Brasil (739) e Colômbia (664).

O país com a maior taxa de mortalidade é o Peru, com 582 falecimentos para cada 100.000 habitantes.

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