Rússia inicia convocação para guerra na Ucrânia, alguns homens fogem

Presidente da Rússia, Vladimir Putin, em Moscou

Por Pavel Polityuk e Michelle Nichols

KIEV/NOVA YORK (Reuters) - A Rússia avançou nesta quinta-feira com sua maior campanha de alistamento militar desde a Segunda Guerra Mundial, levando alguns homens a correr para o exterior, enquanto a Ucrânia exigia "punição justa" por uma invasão de sete meses que tem abalado o mundo.

A ordem do presidente Vladimir Putin de mobilizar outros 300.000 russos intensifica uma guerra que já matou milhares, deslocou milhões, pulverizou cidades, prejudicou a economia global e retomou confronto da Guerra Fria.

O recrutamento em massa pode ser o movimento doméstico mais arriscado das duas décadas de Putin no poder, depois que o Kremlin prometeu que isso não aconteceria e uma série de fracassos no campo de batalha na Ucrânia.

Protestos contra a guerra em 38 cidades russas tiveram mais de 1.300 pessoas presas na quarta-feira, disse um grupo de monitoramento. Alguns receberam intimações para se apresentarem aos escritórios de alistamento na quinta-feira, o primeiro dia completo de alistamento, disseram veículos de notícias independentes.

Os preços das passagens aéreas de Moscou subiram acima de 5.000 dólares para voos só de ida para os locais estrangeiros mais próximos, com a maioria esgotada nos próximos dias. O tráfego também aumentou nas passagens de fronteira com a Finlândia e a Geórgia.

"Toda pessoa normal está (preocupada)", disse um homem, identificando-se apenas como Sergey, desembarcando em Belgrado após um voo de Moscou. "É ok ter medo da guerra."

Um russo chegando ao aeroporto de Istambul afirmou que partiu em parte devido à decisão do Kremlin. "Parece um passo muito ruim, e pode levar a muitos problemas para muitos russos", disse Alex, pegando sua mala em uma esteira de bagagem.

O Kremlin disse que os relatos de um êxodo em massa foram exagerados.

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, pediu às Nações Unidas que criem um tribunal especial e retirem de Moscou seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU, enquanto um confronto diplomático se aproximava nesta quinta-feira em Nova York.

"Um crime foi cometido contra a Ucrânia e exigimos punição justa", disse Zelenskiy, vestido com sua camiseta militar verde, marca registrada, a líderes mundiais por vídeo na Assembleia Geral da ONU na quarta-feira.

O Conselho de Segurança não conseguiu tomar medidas significativas sobre a Ucrânia porque a Rússia é um membro permanente com poder de veto, junto com Estados Unidos, França, Reino Unido e China.

No campo de batalha, os militares russos dispararam nove mísseis contra a cidade de Zaporizhzhia, atingindo um hotel e uma estação de energia, disse o governador regional Oleksandr Starukh. Pelo menos uma pessoa morreu com outras presas sob os escombros, segundo ele. Zaporizhzhia fica a cerca de 50 km da usina nuclear de mesmo nome.