Rússia mostra otimismo moderado após cúpula Putin-Biden

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O presidentes russo, Vladimir Putin, e americano, Joe Biden, durante encontro em Genebra em 16 de junho de 2021

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, e várias autoridades russas mostraram um otimismo moderado nesta quinta-feira (17), no dia seguinte à cúpula com seu homólogo dos Estados Unidos, Joe Biden, elogiando o retorno ao "sentido comum" do americano, mas sem deixar de alfinetar Washington.

Putin e Biden se reuniram na quarta-feira em Genebra por pouco menos de quatro horas, mostrando uma certa tendência ao apaziguamento após meses de tensões que desencadearam uma degradação muito forte de suas relações diplomáticas.

O encontro gerou poucos avanços concretos, exceto o início de um diálogo sobre cibersegurança, o retorno aos cargos de seus respectivos embaixadores e um texto muito breve sobre o início de um "diálogo sobre a estabilidade estratégica".

Nesta quinta-feira, Putin afirmou que a Rússia está disposta "a seguir em frente com o diálogo, desde que o lado americano também esteja".

"Conseguimos nos entender e compreender nossas posturas sobre questões-chave", acrescentou.

Por sua vez, o vice-ministro das Relações Exteriores russo, Serguei Riabkov, classificou a perspectiva de um diálogo sobre desarmamento nuclear e a rejeição à guerra atômica como "um verdadeiro sucesso".

Após o prolongamento do tratado de desarmamento New Start no começo deste ano por parte de Biden, "é o segundo passo de Washington para um retorno ao sentido comum", disse, citado pelo jornal Kommersant.

"Embora o texto seja muito curto, é um documento comum sobre a estabilidade estratégica, que é uma responsabilidade particular dos nossos países, não somente para seus povos, mas para o mundo inteiro", destacou o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, à rádio Ecos de Moscou.

- "É seu estilo" -

Vladimir Putin voltou a se manifestar nesta quinta-feira sobre a impressão que teve de Joe Biden, estimando que seu colega americano é um "profissional" com quem "é preciso trabalhar com muita atenção para não perder nada".

Ele respondia a uma pergunta sobre as capacidades cognitivas do presidente norte-americano, muitas vezes alvo de críticas devido à sua idade avançada (78 anos).

"Ele não deixa nada passar, garanto", disse. "Ele sabe o que deseja conseguir e o faz com muita habilidade, você vê rapidamente. Mas, ao mesmo tempo, o ambiente foi bastante amigável", completou.

Putin reservou críticas à porta-voz do presidente americano, Jen Psaki.

"A assessora de imprensa é uma mulher jovem, educada e bonita, mas não para de misturar tudo. Não que é que não seja educada ou que sua memória seja ruim, mas, simplesmente, quando as pessoas pensam que algo é secundário, não prestam atenção", afirmou.

"Os americanos acreditam que não há nada mais importante que eles mesmo, é seu estilo", completou.

Os dois chefes de Estado já haviam trocado algumas farpas na quarta-feira após a cúpula, em coletivas de imprensa separadas.

Putin fez algumas declarações contra os Estados Unidos, considerando que o país não tem legitimidade para falar sobre direitos humanos, e denunciando o tratamento dado aos manifestantes que atacaram o Congresso em Washington em 6 de janeiro, ou a violência policial contra os americanos negros.

Esses comentários provocaram uma dura réplica por parte do presidente americano, que denunciou "comparações ridículas".

A Casa Branca reivindicou um objetivo duplo antes da cúpula: explorar os caminhos possíveis de cooperação e dissuadir Putin para que não continue com suas "atividades desestabilizadoras".

Quanto ao presidente russo, muitos especialistas concordam que já obteve o que mais desejava com este encontro: destacar a importância da Rússia no cenário internacional.

Uma primeira consequência concreta da cúpula foi o anúncio dado nesta quinta-feira pela porta-voz da diplomacia russa, Maria Zakharova, de que o embaixador Anatoly Antonov voltará para Washington na semana que vem.

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