Rússia nega envolvimento em ataque que deixou 40 mortos em Dnipro

O saldo de um bombardeio russo contra um prédio residencial em Dnipro, no leste da Ucrânia, subiu para 40 mortos nesta segunda-feira (16), uma contagem que pode aumentar e representa um dos piores ataques desde o início da guerra.

A Rússia manteve sua política e o Kremlin negou a responsabilidade pelo ataque e culpou os ucranianos. O porta-voz presidencial russo, Dmitri Peskov, falou de uma "tragédia", apontando para a possibilidade de um míssil de defesa aérea ucraniano ter caído sobre o prédio.

Já a Suécia, que detém a presidência rotativa da UE, afirmou nesta segunda-feira que o ataque constituiu um "crime de guerra".

Quase 48 horas após o ataque, 40 corpos foram recuperados, segundo os serviços de socorro, que registraram também 75 feridos.

As operações de resgate continuam tentando encontrar sobreviventes na montanha de escombros ainda fumegante. Segundo as autoridades, 29 pessoas continuam desaparecidas.

Desde o início do resgate, 29 pessoas foram salvas com vida das ruínas.

- Promessas e alertas -

O Kremlin demorou dois dias para reagir e seu porta-voz manteve a estratégia de seu país de negar que suas tropas tenham sido responsáveis por tal bombardeio.

"As forças armadas russas não bombardeiam prédios residenciais, nem infraestruturas civis. Elas bombardeiam alvos militares", disse Peskov, apesar do fato de que vários bombardeios atingiram alvos civis desde o início da invasão em 24 de fevereiro.

No domingo, o presidente russo, Vladimir Putin, não comentou o assunto, mas disse que a operação na Ucrânia tem uma "dinâmica positiva", poucos dias depois de Moscou assumir a responsabilidade pela tomada de uma pequena cidade no leste.

O ataque ao prédio residencial em Dnipro faz parte de uma campanha de bombardeios regulares e massivos que Moscou começou em outubro contra a infraestrutura de energia da Ucrânia, com o objetivo de deixar a população no escuro e sem calefação no auge do inverno.

Enquanto isso, os ocidentais multiplicaram suas promessas de ajuda militar à Ucrânia, projetando o envio de blindados e tanques, rompendo com a relutância inicial em enviar material pesado. Reino Unido e Polônia planejam enviar tanques.

Putin, por sua vez, denunciou durante uma conversa com seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, "a destrutiva estratégia do regime de Kiev, que apostou em uma intensificação das hostilidades com apoio de seus patrocinadores ocidentais, que estão incrementando o fornecimento de armas e equipamentos militares" para os ucranianos.

"Os tanques estão queimando e vão queimar", havia alertado pouco antes Dmitri Peskov à imprensa, acusando mais uma vez os ocidentais de servirem a Ucrânia para "conseguir objetivos antirrussos".

No sábado, o Reino Unido prometeu fornecer tanques Challenger 2, que serão os primeiros veículos pesados de fabricação ocidental que a ex-república soviética receberá.

E nesta segunda-fera, o primeiro-ministro polonês, Mateusz Morawiecki, afirmou que Berlim aprovou a entrega de tanques Leopard, fabricados na Alemanha.

- Visita do diretor da AIEA -

Moscou reivindicou uma vitória na semana passada, alegando que havia tomado a cidade de Soledar, ao norte de Bakhmut, que tinha cerca de 10 mil habitantes antes da guerra. A Ucrânia nega ter abandonado a cidade, afirmando que os combates ainda estão em andamento.

A chefe da diplomacia alemã, Annalena Baerbock, se mostrou favorável nesta segunda, durante discurso em Haia, à criação de um tribunal especial para julgar os dirigentes russos após a invasão da Ucrânia.

Enquanto isso, o diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o argentino Rafael Grossi, planeja viajar para a Ucrânia nesta segunda-feira.

Em um tuíte, enfatizou que sua organização aumentará sua presença no país "para ajudar a prevenir um acidente nuclear durante o conflito em curso".

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