Rússia obtém avanços em ofensiva no Leste, mas sofre perdas severas, diz Ucrânia

A Ucrânia reconheceu nesta sexta-feira que sofre pesadas perdas militares na ofensiva da Rússia no Leste do país, mas disse que os avanços de Moscou tiveram custos ainda mais severos para uma força já desgastada por mais de dois meses de guerra, que enfrentou problemas táticos e de logística.

— Temos perdas sérias, mas as perdas dos russos são muito, muito maiores... Eles têm perdas colossais — disse o assessor presidencial ucraniano Oleksiy Arestovych.

Na semana passada, a Rússia lançou a segunda fase de sua operação. Após fechar a frente no Norte da Ucrânia, onde está Kiev, as forças invasoras decidiram se concentrar no Leste da Ucrânia, estendendo-se também a regiões do Sul.

Na quinta-feira, a Ucrânia reconheceu ter perdido o controle de algumas cidades e vilarejos desde o início do ataque na semana passada. Em uma declaração, o Exército ucraniano revelou que a frente russa em Donetsk, uma província no Centro da região conhecida como Donbass, está 15 km mais a Noroeste do que tinha informado anteriormente.

Desde 2014, rebeldes separatistas pró-Moscou dominam áreas do Donbass. Atualmente, a Rússia busca dominar o máximo possível da região. A Rússia precisa de êxitos no campo de batalha para alimentar qualquer esperança de obter concessões da Ucrânia.

Em seu boletim diário de inteligência, o Ministério da Defesa britânico informou que, “devido à forte resistência ucraniana, os ganhos territoriais russos foram limitados e alcançados a um custo significativo para as forças russas”.

Segundo a inteligência britânica, os principais ataques russos se concentram agora em Severodonetsk, uma pequena cidade em Luhansk que sofre bombardeios todos os dias, e em Slovyansk e Kramatorsk, em Donetsk.

Desde o início da campanha, a ofensiva russa sofre com problemas de logística, de tática e de estratégia. A Rússia abriu frentes demais, sem garantir linhas de suprimento para suas tropas. Segundo uma alta autoridade do Pentágono, que falou anonimamente com a imprensa, o progresso russo permanece “lento e desigual”.

— A Rússia está tentando aprender com os erros que cometeu no início da Ucrânia. Eles estão tentando consertar as falhas de comunicação e coordenação observadas no ataque a Kiev — afirmou.

Nesta sexta-feira, a Rússia divulgou que usou um submarino a diesel no Mar Negro para atacar alvos militares ucranianos com mísseis de cruzeiro Kalibr. Esta foi a primeira vez que Moscou anunciou o uso de sua frota submarina.

O Ministério da Defesa russo divulgou um vídeo mostrando uma saraivada de mísseis Kalibr emergindo do mar e voando no horizonte, atingindo supostos alvos militares ucranianos.

Guterres em Kiev

Na quinta-feira, enquanto o secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, estava em Bucha, subúrbio de Kiev, a capital sofreu bombardeios. Hoje o Ministério da Defesa russo informou que “as forças russas destruíram com armas de alta precisão de longo alcance a sede principal da empresa espacial Artiom”.

A Radio Free Europe/Radio Liberty, financiada pelos EUA, disse na sexta-feira que sua jornalista e produtora Vera Gyrych morreu durante o ataque. Segundo a rádio, ela estava em seu apartamento, que foi atingido por um míssil.

Uma autoridade do Penntágono afirmou que os mísseis russos tinham como alvo instalações de produção militar

Segundo o ministério russo, o Exército russo também destruiu na quinta-feira com "mísseis de alta precisão" três usinas localizadas perto de linhas ferroviárias, incluindo Fastov, na região de Kiev.

Já um depósito de combustível russo em Donetsk pegou fogo, após sofrer aparentes ataques de mísseis ucranianos. A Ucrânia tem priorizado ataques contra esse tipo de alvo, com o objetivo de paralisar a frota russa.

Em Mariupol, uma cidade portuária devastada, atacada desde o primeiro dia da guerra, a forças de defesa ucranianas permanecem a resistir na usina de Azovstal, um enorme complexo siderúrgico repleto de túneis subterrâneos e bunkers. Há indícios de que as forças russas conseguiram tomar partes do norte da usina.

As condições climáticas pelos próximos dez dias devem colaborar com o Exército russo no Leste da Ucrânia. Temperaturas mais altas, entre 16ºC e 21ºC, e tempo nublado sem chuva, começarão a secar áreas enlameadas, facilitando a locomoção de tanques e blindados fora de estradas.

As negociações diplomáticas estão praticamednte paradas, e não há qualquer fim à vista para a guerra. Na quinta-feira, o presidente dos EUA, Joe Biden, pediu ao Congresso que aprove um pacote de US$ 33 bilhões para ajudar Kiev a resistir ao ataque pelos próximos cinco meses.

Destes, US$ 20 bilhões são para a ajuda militar. A quantia supera em mais de três vezes o gasto anual ucraniano com defesa e representa um aumento dramático do envolvimento americano com o conflito.

Os Estados Unidos e seus aliados agora enviam armas pesadas, incluindo artilharia, e Washington diz ter o objetivo não apenas de repelir o ataque da Rússia, mas de enfraquecer suas Forças Armadas para que não possam ameaçar seus vizinhos novamente.

Nesta sexta-feira, o presidente da Ucrânia, Volodymyr Zelensky, escreveu: "Obrigado ao presidente e ao povo americano por sua liderança em apoiar a Ucrânia em nossa luta contra a agressão russa. Defendemos valores comuns: democracia e liberdade. Agradecemos a ajuda. Hoje é mais necessária do que nunca!"

A Rússia disse que a chegada de armas ocidentais à Ucrânia significa que agora está travando uma "guerra por procuração" contra a Otan. O presidente Vladimir Putin insinuou nesta semana que pode usar armas nucleares, enquanto seu ministro das Relações Exteriores alertou sobre uma ameaça de Terceira Guerra Mundial. (Com agências internacionais)

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