Rússia pagará indenização a famílias de membros da Guarda Nacional mortos na Ucrânia

O governo russo anunciou que famílias de membros da Guarda Nacional da Rússia mortos em missões de combate na Ucrânia e na Síria receberão um pagamento de cinco milhões de rublos (R$ 389 mil), repetindo uma medida adotada para militares, policiais e voluntários que morreram na invasão do país vizinho. Na prática, o decreto, assinado pelo presidente Vladimir Putin, também confirmou que a Guarda está participando ativamente do conflito desde seu início.

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Segundo o texto, a indenização às família está prevista nos casos de “morte de militares e civis servindo nas tropas da Guarda Nacional da Federação Russa, e com patentes policiais” em Donetsk e Luhansk, no Leste da Ucrânia, e para aqueles que “desempenharam tarefas especiais” na Síria — o país realizou uma intervenção no país árabe em 2015, para apoiar as forças de Bashar al-Assad na guerra civil, e ainda mantém presença militar ali.

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Também estão previstas indenizações para as famílias de ex-integrantes da Guarda Nacional que morreram menos de um ano depois de seus pedidos de demissão, por decorrência de ferimentos sofridos em combate ou doenças relacionadas.

Pagamentos semelhantes foram anunciados nas últimas semanas para as famílias de militares e oficiais de fronteira mortos em combate, mas a menção à Guarda Nacional jogou um pouco de luz sobre a estratégia do Kremlin para a Ucrânia.

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Criada em 2016, a Rosvgardya tem funções prioritariamente internas, como o combate ao terrorismo e ao crime organizado, apoiar, quando necessário, as forças de fronteira e, na face mais conhecida por muitos russos, a repressão a protestos “não autorizados”, atuando ao lado de outras forças de segurança locais e federais. Para alguns, os protestos de 2013 e 2014 na Ucrânia, que derrubaram o governo pró-Moscou, serviram de inspiração para a criação da nova força.

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Antes do início do atual conflito, a Guarda participou de exercícios conjuntos com a Bielorrússia e, após a invasão, seus integrantes passaram a ser vistos em áreas ocupadas pelos russos, como Kherson, no Sul do país: ali, segundo relatos de ativistas e parlamentares ucranianos, eles batem nas portas de casas atrás de nacionalistas pró-Kiev e qualquer um que se oponha à ocupação.

Analistas acreditam que, pelos planos do Kremlin, eles deveriam desempenhar as mesmas funções em cidades como Kiev e Kharkiv, que foram duramente atacadas no início da guerra e cuja queda deveria ser “rápida”, segundo os estrategistas militares russos. Contudo, com os rumos da guerra diferentes do esperado, Moscou anunciou uma mudança de planos, focando suas forças no Leste do país, onde separatistas já controlavam parte do território desde 2014.

Apesar dos pagamentos às famílias dos mortos, o governo russo mantém como um de seus maiores segredos o total de baixase: pela última atualização, do dia 25 de março, Moscou confirmava que 1.351 combatentes morreram e 3.825 ficaram feridos. O número real, segundo governos ocidentais, seria bem maior.

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