Rússia participa de reunião ministerial do G20 que será dominada pelo conflito na Ucrânia

REUTERS - POOL

A guerra na Ucrânia e suas consequências estão no centro de um encontro de dois dias dos ministros das Relações Exteriores do G20, que começa nesta quinta-feira (7), na ilha de Bali, na Indonésia. Pela primeira vez desde o início da guerra na Ucrânia, em fevereiro, o chefe da diplomacia russa, Serguei Lavrov, participará das discussões e deve criticar as sanções econômicas impostas pelos ocidentais em decorrência do conflito.

Nesta quinta-feira (7), o ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, se encontrou com o seu colega russo. Os dois ministros conversaram e apertaram as mãos, de acordo com fotos divulgadas da reunião. Eles ressaltaram a importância do G20 e discutiram sobre o que Moscou descreve como uma "operação militar especial" na Ucrânia. "Ambas as partes enfatizaram a natureza inaceitável das sanções unilaterais adotadas contra a Rússia", segundo comunicado do ministério russo.

Pequim mantém boas relações com a Rússia desde o início da invasão russa à Ucrânia, em fevereiro, apesar dos esforços dos países ocidentais para isolar política e economicamente o regime de Vladimir Putin. A China, que se recusa a condenar a invasão russa da Ucrânia, foi acusada de proteger o Kremlin ao se manifestar contra as sanções ocidentais e remessas de armas para Kiev.

Sergei Lavrov tentou agendar outras reuniões bilaterais, mas o secretário de Estado americano, Antony Blinken, e a ministra alemã das Relações Exteriores, Annalena Baerbock, por exemplo, rejeitaram a ideia.

Por meio de um comunicado, a ministra alemã disse que era do interesse de todos garantir o respeito às leis internacionais, sendo este o denominador comum do encontro. Porém, outros países do grupo têm posições mais reservadas sobre a atitude a adotar em relação à Moscou.

França espera "confronto duro"

A França espera um "confronto duro" com a Rússia na reunião do G20, com a presença de Lavrov no encontro. A União Europeia quer impedir que a Rússia use as reuniões como "um palanque de propaganda" sobre o conflito na Ucrânia. O desafio para Paris e seus parceiros europeus será "responder às falsas verdades de Moscou e combater a narrativa russa sobre a guerra. Moscou insiste em dizer que as causas da crise mundial de alimentos e o aumento internacional de preços dos combustíveis e da energia são resultado das sanções contra a Rússia, e não da invasão da Ucrânia em si.

Fontes da diplomacia francesa ouvidas pela AFP indicam que a reunião do G20 será uma oportunidade para "esclarecer que o objetivo das sanções internacionais e tornar o custo da guerra insuportável para a Rússia”, mas que elas são uma "resposta a uma agressão, essa sim a verdadeira causa das atuais perturbações", particularmente em termos da crise alimentar.

O foco da reunião será discutir temas como “multilateralismo” e “segurança alimentar e energética”. O Brasil será representado pelo chanceler Carlos França, que defenderá "a resolução pacífica dos conflitos (...) e a reforma de organismos internacionais, como a OMC e a ONU", conforme antecipou nota do Itamaraty sobre o encontro, na terça-feira (5).

O ministro brasileiro também estará atento à "estabilização dos mercados internacionais de energia e de alimentos, além de insumos críticos para o Brasil, como fertilizantes".

Preparação para cúpula com chefes de Estado

A segurança está reforçada na região de Nusa Dua, em Bali, onde a cúpula será realizada. O G20, clube das 20 maiores economias do mundo, inclui tanto os estados ocidentais que impuseram sanções a Moscou (União Europeia e os Estados Unidos), quanto outros países mais reservados em relação ao conflito, como Brasil, China, Índia e África do Sul. Devido à presença da Rússia, no entanto, o encontro na Indonésia não deverá resultar em uma declaração conjunta final, segundo representantes da diplomacia francesa.

A reunião dos próximos dias serve como uma preparação para a cúpula de chefes de Estado e de governo do G20, agendada para novembro, também na Indonésia. Como membro do grupo, o presidente russo, Vladimir Putin, foi convidado a participar.

(Com informações da AFP)

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