Rússia pede à ONU que ajude a facilitar suas exportações de alimentos e fertilizantes

Chanceler russo Sergei Lavrov visita Jordânia

(Reuters) - Moscou pediu nesta quinta-feira que a Organização das Nações Unidas (ONU), que intermediou um acordo para liberar os carregamentos de grãos da Ucrânia de um bloqueio russo aos seus portos do Mar Negro, ajude para que sejam cumpridas as partes do acordo destinadas a facilitar as exportações de alimentos e fertilizantes da Rússia.

A Rússia retomou na quarta-feira a participação na iniciativa após uma suspensão de quatro dias, aliviando a pressão sobre os preços dos alimentos e amenizando os temores de uma nova crise global de alimentos.

O acordo expira em 19 de novembro, e Moscou deixou claro que quer fazer mais para garantir que possa exportar sua enorme produção de alimentos e fertilizantes, apesar da enxurrada de sanções ocidentais impostas em resposta à invasão da Ucrânia.

"Ainda não vemos resultados em relação a um segundo aspecto: a remoção de obstáculos à exportação de fertilizantes e grãos russos", disse o ministro das Relações Exteriores, Sergei Lavrov, em entrevista coletiva em Amã, na Jordânia.

"Pedimos mais uma vez ao secretário-geral das Nações Unidas que garanta que ele cumpra as obrigações com as quais concordou por iniciativa própria", acrescentou Lavrov. Ele disse que a situação precisa ser resolvida "em um futuro muito próximo".

"Se estamos falando dos volumes de fertilizantes e grãos em questão, esses volumes do lado russo são incomparavelmente maiores do que do lado ucraniano."

As exportações agrícolas russas não se enquadram explicitamente nas sanções impostas pelos Estados Unidos, União Europeia e outros, mas Moscou diz que são muito prejudicadas pelas restrições impostas aos setores financeiro, logístico e de seguros.

A iniciativa - intermediada pela Turquia e pelas Nações Unidas - foi acordada em julho por 120 dias.

Questionado nesta quinta-feira se a decisão da Rússia de retornar ao acordo significava que estava pronta para concordar com uma extensão, o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, disse: "Não, não significa isso".

"É preciso avaliar... como todos os aspectos do negócio estão sendo implementados, todos os parâmetros dos acordos, e então tomar uma decisão."

(Reportagem da Reuters)