Putin tem apoio de Erdogan e Rohani para reunião sobre Síria na Rússia

Por Maria PANINA
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O presidente russo (c) recebe os colegas de Irã e Turquia em Sochi

O presidente russo, Vladimir Putin, conseguiu nesta quarta-feira (22) o apoio de seus contrapartes turco e iraniano para reunir na Rússia representantes do regime sírio e da oposição, o que em sua opinião é uma "uma verdadeira oportunidade" para acabar com o conflito que assola a Síria desde 2011.

O chefe do Kremlin, principal apoiador do presidente sírio, Bashar al Assad, reuniu-se com Recep Tayyip Erdogan e Hassan Rohani no balneário de Sochi (sudoeste) para relançar o processo de paz depois que o governo sírio recuperou grande parte do terreno nas mãos dos rebeldes e dos extremistas.

Antes disto, tinha multiplicado os contatos diplomáticos, recebendo Assad na segunda-feira em Sochi, na primeira viagem ao exterior do mandatário sírio desde 2015. Também teve várias conversas por telefone, entre outros com o presidente americano, Donald Trump.

"Abre-se uma nova etapa na solução da crise", disse Putin após se reunir com seus contrapartes durante duas horas.

Os três presidentes se disseram favoráveis à realização de um "congresso" sírio em Sochi, uma iniciativa russa lançada no fim de outubro, mas que não tinha dado frutos.

No entanto, a ideia foi rejeitada pela oposição, que prefere prosseguir com as negociações em Genebra, que serão retomadas em 28 de novembro.

- Sangue nas mãos -

Rússia e Irã, aliados do regime sírio, e a Turquia, que apoia os rebeldes, são os promotores do chamado processo de Astana, capital do Cazaquistão, que permitiu criar quatro "zonas de distensão" no território sírio.

Estas medidas permitiram reduzir a tensão no terreno e reunir em torno da mesma mesa representantes do regime e da oposição para abordar questões militares, em um momento em que as negociações de Genebra estavam em ponto morto.

Mas o principal obstáculo para um acordo continua sendo o futuro de Bashar al Assad, no poder desde o ano 2000 e agora em posição de força.

Ainda há muitas dúvidas rondando a iniciativa russa de um congresso sírio. Por enquanto não se fixou nenhuma data e Erdogan se mantém firme em seu repúdio a que as milícias curdas, que controlam parte do norte da Sìria, participel da solução.

"Não podemos considerar um bando de terroristas com as mãos cheias de sangue como um ator legítimo", insistiu o presidente curdo.

A oposição síria, por sua vez, segue sob pressão para que se façam concessões. Suas principais facções se reúnem nesta quarta-feira na Arábia Saudita para unificar suas posições frente às negociações de Genebra, na presença do emissário das Nações Unidas para a Síria, Staffan de Mistura, que disse que viajará na quinta-feira a Moscou.

- Concessões -

A Rússia, cuja intervenção militar provocou uma reviravolta na guerra, assegura que a fase militar está prestes a acabar e quer agora buscar soluções políticas.

A campanha de ataques aéreos de Moscou permitiu ao exército sírio recuperar das mãos dos extremistas do grupo Estado Islâmico (EI) a cidade de Palmira e expulsar os rebeldes de Aleppo, um de seus principais redutos no norte do país.

Aproveitando a posição de força de Bashar al Assad, Putin o recebeu na segunda-feira em sua residência de Sochi.

"Uma verdadeira oportunidade de por fim a essa guerra civil que data de vários anos apareceu", declarou Putin em seu discurso de abertura do encontro desta quarta-feira.

"Corresponde ao povo sírio determinar seu próprio futuro (...) É evidente que o processo não será simples e exigirá compromissos e concessões de todos os participantes, inclusive do governo sírio", destacou.

Acrescentou que seu governo, o iraniano e o turco "empreenderão os esforços mais ativos para fazer com que este trabalho seja o mais produtivo possível".

O presidente russo assegurou que Assad estava disposto a realizar uma reforma constitucional e a celebrar eleições sob o controle da ONU.

"Vemos uma perspectiva nova para o fim da crise na Síria", avaliou Rohani. "Não existe mais um pretexto para manter uma presença militar estrangeira no território da Síria sem o acordo do governo legítimo deste país".

Desta forma, dirigiu-se à coalizão liderada pelos Estados Unidos, que realiza ataques aéreos contra o grupo Estado Islâmico sem o acordo do regime sírio, ao contrário dos exércitos russo e iraniano.