Rússia realiza ataque noturno com drones após dia de bombardeio na Ucrânia

Homem anda em área de prédio residencial abalado por um ataque de drones russos a Kiev

Por Dan Peleschuk

KIEV (Reuters) - A Rússia atacou a Ucrânia com 16 drones Shahed de fabricação iraniana durante a noite, disseram autoridades ucranianas nesta sexta-feira, um dia depois de Moscou ter disparado vários mísseis em sua mais recente série de ataques contra a infraestrutura vital do país.

Uma testemunha da Reuters 20 km ao sul de Kiev ouviu várias explosões e o som de fogo antiaéreo. Ao amanhecer, o ataque parecia ter acabado após um dia e uma noite implacáveis de bombardeio.

Os militares ucranianos disseram que todos os drones foram destruídos. Sete tinham como alvo Kiev, onde um prédio administrativo foi danificado, disse o prefeito da capital, Vitali Klitschko.

A Rússia lançou um total de 85 ataques com mísseis, 35 ataques aéreos e 63 ataques de vários sistemas de lançamento de foguetes nas últimas 24 horas, afirmou o Estado-Maior das Forças Armadas da Ucrânia em seu briefing diário sobre a guerra.

O Ministério da Defesa da Rússia disse que realizou um "ataque massivo" contra a infraestrutura militar-industrial e de energia da Ucrânia usando armas de alta precisão, segundo a Interfax.

A agência informou ainda que os ataques interromperam a produção e o reparo de equipamentos militares e o movimento de tropas de reserva. O presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy, disse que os ataques foram contra a infraestrutura de energia e a maioria foi repelida.

As áreas onde as quedas de energia foram "especialmente difíceis" incluem a capital Kiev, Odessa e Kherson no sul e regiões vizinhas, e em torno de Lviv, perto da fronteira ocidental com a Polônia, disse Zelenskiy.

"Mas isso não é nada comparado com o que poderia ter acontecido se não fossem por nossos heróicos atiradores antiaéreos e defesa aérea", disse Zelenskiy.

Desde outubro, a Rússia tem lançado ataques em massa com mísseis e drones quase semanais contra a infraestrutura civil em toda a Ucrânia, deixando milhões de pessoas sem aquecimento ou energia com a chegada do inverno. A Rússia diz que seu objetivo é reduzir a capacidade de combate da Ucrânia; Kiev afirma que os ataques não têm propósito militar e visam ferir civis, um crime de guerra.

Kiev diz que o Irã está fornecendo a Moscou drones para seus ataques aéreos. Teerã nega.

Os militares ucranianos disseram que as forças de Moscou também bombardearam 20 assentamentos ao redor da cidade de Bakhmut, no leste da Ucrânia, onde os combates mais ferozes estão sendo travados, e mais de 25 assentamentos nas regiões de Kherson e Zaporizhzhia.

O Kremlin, por sua vez, afirmou estar extremamente preocupado com o que disse ser um míssil antiaéreo ucraniano que voou para o espaço aéreo de Belarus, aliada próxima de Moscou, na quinta-feira, antes de ser abatido.

O Ministério da Defesa da Ucrânia sugeriu que o episódio foi uma provocação russa, mas disse estar pronto para realizar uma "investigação objetiva" sobre o incidente.

A Reuters não pôde verificar imediatamente os relatos do campo de batalha.