Rússia retoma atividade aos poucos, enquanto registra novos casos

Inspetora revisa documentação de passageira na estação de metrô moscovita de Savyolovskaya, em 12 de maio de 2020

A Rússia inicia um prudente desconfinamento regional nesta terça-feira (12), protegida por uma baixa mortalidade, embora o país tenha voltado a registrar mais de 10.000 casos de contágio pelo novo coronavírus.

Com 232.243 casos confirmados desde o início da epidemia, dos quais 10.899 foram registrados na terça-feira de acordo com estatísticas oficiais, a Rússia está entre os três, ou quatro, países mais afetados do mundo em termos de número de pacientes.

Desde o início de maio, foram registrados mais de 10.000 novos casos por dia, uma evolução que a Rússia explica por sua política de detecção em massa, com 5,8 milhões de testes de coronavírus, conforme balanço de hoje.

As regiões menos afetadas reabriram alguns estabelecimentos comerciais nesta terça, como salões de beleza. A maioria dos locais públicos permanece fechada, porém, incluindo restaurantes. Concentrações e grandes reuniões também seguem proibidas.

Desta maneira, no Bakhkortostão (Urais), por exemplo, o dirigente regional, Radi Jabirov, anunciou a reabertura diurna "das margens dos rios, cais e parques".

Em Magadan, no extremo-oriente russo, foram autorizadas atividades esportivas individuais ao ar livre.

Moscou, em particular, principal foco da epidemia (121.301 casos), permanecerá em confinamento até 31 de maio. Populações de risco, como os idosos, devem permanecer em suas casas.

Já os setores da construção e da indústria - que empregam cerca de 500.000 trabalhadores - foram autorizados a retomar as atividades.

De acordo com números oficiais, a mortalidade continua sendo bem baixa, com apenas 2.116 óbitos, se comparado com países como Espanha, Itália, França, ou Alemanha, esta última citada como exemplo por sua gestão da crise.

- "Situações epidemiológicas diferem" -

Afetada mais tarde pela pandemia, a Rússia alega que este baixo número de óbitos é resultado das lições tiradas da pandemia na Europa Ocidental. O país fechou rapidamente suas fronteiras, reorganizou totalmente seu sistema hospitalar e fez testes de detecção em massa para isolar os casos assintomáticos e leves da doença.

Os críticos do governo consideram que os óbitos estão sendo subnotificados e suspeitam de que as autoridades russas estejam atribuindo as mortes por COVID-19 a outras causas.

Na segunda-feira, o presidente russo, Vladimir Putin, havia anunciado o fim, a partir desta terça, do período de desemprego parcial. A medida esteve em vigor desde o final de março para conter a propagação do coronavírus e fazer o confinamento ser respeitado.

Com isso, Putin caminha o país para um desconfinamento "passo a passo" e para a flexibilização gradual das restrições.

Neste contexto, cada região deve decidir, com base em elementos científicos, quais restrições serão flexibilizadas e quando.

"Nosso país é grande, as situações epidemiológicas diferem (...) Não podemos usar o mesmo modelo para todos", havia destacado Putin.

- Máscaras obrigatórias -

As máscaras e as luvas de proteção são itens obrigatórios nos transportes públicos e nos lugares públicos fechados, como supermercados.

Aqueles refratários a esta medida até esta terça-feira são apenas advertidos, mas, a partir de amanhã, serão multados com 5.000 rublos (em torno de 63 euros).

Tatiana Khan, passageira de um ônibus, considera que a medida - multa - é necessária.

"É para que todos compreendam", diz esta funcionária municipal que trabalhou na desinfecção dos acessos a edifícios públicos.

"Se todo o mundo tivesse usado antes as máscaras, sem sombra de dúvida teria tido menos contágios", afirmou esta jovem, de 25 anos, cujo marido, cozinheiro, está desempregado por causa do confinamento.

Em São Petersburgo, onde a medida de confinamento continua em vigor, cinco pacientes afetados por COVID-19 morreram em um incêndio ocorrido no hospital, onde estavam em cuidados intensivos. A causa da tragédia foi um aparelho de respiração artificial que pegou fogo.

O governador da cidade destacou o "heroísmo" do pessoal médico que evacuou o estabelecimento, cortou a eletricidade e o fornecimento de oxigênio.

"Evitou-se uma grande quantidade de vítimas, graças ao profissionalismo e à abnegação de médicos e enfermeiras", apontou Alexander Beglov em um comunicado.