Rússia suspende gás para Polônia e Bulgária, mira em economias europeias

Vista do campo de gás de Bovanenkovo, da Gazprom, na península ártica de Yamal

Por Marek Strzelecki e Tsvetelia Tsolova e Pavel Polityuk

VARSÓVIA/SÓFIA/KIEV (Reuters) - A Rússia interrompeu o fornecimento de gás para Bulgária e Polônia nesta quarta-feira por rejeitarem sua exigência de pagamento em rublos, mirando diretamente as economias europeias em sua retaliação mais dura até agora contra as sanções internacionais provocadas pela guerra na Ucrânia. A medida foi classificada por líderes europeus como "chantagem" e ocorre no momento em que países europeus se juntam aos Estados Unidos para aumentar os envios de armas para ajudar a Ucrânia a se defender de um novo ataque russo no leste. Kiev informou na quarta-feira que tropas russas obtiveram ganhos em várias localidades na região.

Moscou diz que o corte de gás é para reforçar sua exigência de pagamento em rublos, necessário para proteger sua economia das sanções. A Polônia confirmou que os suprimentos foram cortados, enquanto a Bulgária disse que descobriria em breve. Ambas acusaram a Gazprom de violar contratos de fornecimento de longa data.

"Como todas as obrigações comerciais e legais estão sendo observadas, está claro que no momento o gás natural está sendo usado mais como uma arma política e econômica na guerra atual", disse o ministro da Energia da Bulgária, Alexander Nikolov.

A Gazprom, monopólio russo de exportação de gás, disse em comunicado que "suspendeu completamente o fornecimento de gás para Bulgargaz e PGNiG devido à ausência de pagamentos em rublos", referindo-se às empresas de gás polonesa e búlgara.

O presidente russo, Vladimir Putin, exigiu no mês passado que os compradores de países "hostis" paguem pelo gás em rublos ou seriam vetados. A União Europeia diz que isso viola contratos que exigiam pagamento em euros.

"O anúncio da Gazprom de que está interrompendo unilateralmente a entrega de gás a clientes na Europa é mais uma tentativa da Rússia de usar o gás como instrumento de chantagem", disse a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen.

"Isso é injustificado e inaceitável. E mostra mais uma vez a falta de confiabilidade da Rússia como fornecedora de gás", disse ela.

Polônia e Bulgária são ex-satélites de Moscou da era soviética que desde então se juntaram à União Europeia e à aliança militar ocidental Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan).

A Polônia tem sido um dos oponentes mais expressivos do Kremlin durante a guerra. A Bulgária teve relações calorosas com a Rússia no passado, mas o primeiro-ministro Kirill Petkov, um ativista anticorrupção que assumiu o cargo no ano passado, criticou fortemente a invasão da Ucrânia pela Rússia.

Petkov viajará nesta quarta-feira para Kiev, o mais recente líder europeu a se encontrar com o presidente ucraniano, Volodymyr Zelenskiy.

A Polônia recebe seu gás russo através do gasoduto Yamal-Europa dos enormes campos de gás da Rússia no extremo norte do Ártico, que continua a oeste para abastecer a Alemanha e outros países europeus. A Bulgária é fornecida através de tubos sobre a Turquia.

Outros países europeus, incluindo a Alemanha, maior compradora de gás russo, não relataram cortes.

Os suprimentos da Gazprom cobrem cerca de 50% do consumo da Polônia e cerca de 90% da Bulgária. A Polônia disse que não precisava recorrer às reservas e que seu armazenamento de gás estava em 76% da capacidade. A Bulgária afirmou que está em negociações para tentar importar gás natural liquefeito através da Turquia e da Grécia.

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