Rússia suspende referendo de anexação em zona ocupada por contraofensiva da Ucrânia

A Rússia suspendeu nesta segunda-feira (5), os preparativos para um referendo no sul da Ucrânia sobre a anexação da região de Kherson, devido à contraofensiva das forças ucranianas, que reivindicam avanços e afetam a logística do Exército russo.

Por outro lado, o último reator em operação na usina nuclear de Zaporizhzhia, onde estão especialistas da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), teve que ser desconectado da rede ucraniana devido aos bombardeios.

A linha de reserva usada para fornecer eletricidade à rede "foi desconectada deliberadamente para apagar um incêndio" e será reconectada o mais rapidamente possível, informou o órgão. Quando a linha de reserva for reativada, o reator número 6 será reconectado, acrescentou.

Os especialistas da AIEA, que chegaram à usina na semana passada, permaneciam no local tentando garantir a segurança das instalações. Em conversa com seu par ucraniano, o presidente da França, Emmanuel Macrón, destacou "a necessidade imperiosa de preservar a segurança" de Zaporizhzhia e pediu que "a soberania da Ucrânia" sobre a usina seja respeitada.

- Pausa -

Mais ao sul, na região de Kherson, o Exército ucraniano continuava sua ofensiva, e Mikhailo Podoliak, conselheiro do presidente ucraniano, voltou a pedir à população, "mesmo na península da Crimeia", que garanta acesso a um abrigo subterrâneo e reservas de alimentos.

Como sinal do avanço do Exército ucraniano, a administração russa ocupante da região de Kherson decidiu suspender o referendo de anexação que havia planejado.

"Estávamos preparados para a votação e queríamos organizar o referendo muito em breve, mas, devido aos eventos atuais, acho que vamos fazer uma pausa por enquanto", disse Kirill Stremousov, chefe da administração de ocupação à televisão pública russa.

Há semanas, as autoridades de ocupação nas regiões ucranianas de Kherson e Zaporizhzhia anunciaram a organização de referendos para unir essas regiões à Rússia no final deste ano, como aconteceu em 2014, quando a Crimeia foi anexada.

No entanto, Kherson e sua região são alvos de uma contraofensiva da Ucrânia, que afirma ter recapturado território, infligido perdas aos russos e interrompido linhas de abastecimento russas ao desativar as principais pontes na área.

- Cortar as pontes -

O presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, anunciou ontem a reconquista de "duas cidades no sul" e uma terceira no leste, sem especificar quais. Já a inteligência militar ucraniana (GUR) garantiu hoje que destruiu um depósito na região de Zaporizhzhia onde estavam armazenadas as cédulas do referendo organizado por Moscou.

"Todas as pontes" sobre o rio Dnieper na região de Kherson "estão fora de serviço", declarou a porta-voz do exército ucraniano no sul, Natalia Gumenyuk, assegurando que "três pontes flutuantes" construídas pelo exército russo também foram destruídas.

Por sua vez, o Ministério da Defesa russo alegou que estava infligindo pesadas perdas aos ucranianos, "que estão tentando se enraizar em certas áreas" do sul ocupado da Ucrânia.

As forças russas atacaram a Ucrânia em 24 de fevereiro pelo leste, norte e sul de seu território. Depois de não conseguir tomar Kiev,  retiraram-se d o norte da Ucrânia, concentrando-se no leste e no sul.

O Exército ucraniano, que recebe armamento ocidental, conseguiu deter o avanço russo e há uma semana lançou sua contraofensiva no sul.

- Cidades atacadas -

A Rússia, porém, continua atacando cidades ucranianas com artilharia e mísseis no sul e leste do país.

Na região de Kharkov (nordeste), dois civis morreram no município de Zolochiv e três ficaram feridos em um bombardeio noturno sobre a capital regional, de mesmo nome.

Na região de Dnipropetrovsk (centro-leste), uma mulher foi morta e três pessoas ficaram feridas em um bombardeio russo, disse o governador regional Valentin Reznichenko.

Na frente econômica, o Kremlin declarou hoje que a interrupção do fornecimento de gás para a Alemanha através do gasoduto Nord Stream era culpa do Ocidente, porque suas sanções impediam a manutenção da infraestrutura. "Não há outra razão para esses problemas", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitri Peskov.

As declarações vêm poucos dias após o fechamento completo do Nord Stream, um gasoduto crucial para o abastecimento de países europeus, que temem uma crise energética neste inverno.

bur-ant-lpt/pc/mb/mr/lb