Raúl Castro propõe 'diálogo respeitoso' entre Cuba e EUA

·2 minuto de leitura
Foto divulgada pela Agência Cubana de Notícias (ACN) do primeiro secretário do Partido Comunista Cubano (PCC), Raúl Castro, durante sessão inaugural de congresso do partido no Palácio de Convenções, em Havana, 16 de abril de 2021

Raúl Castro, primeiro secretário do Partido Comunista de Cuba, propôs nesta sexta-feira (16) um diálogo respeitoso com os Estados Unidos, ao anunciar que deixará o cargo, o de maior poder na ilha.

"Ratifico deste congresso do Partido a vontade de desenvolver um diálogo respeitoso e edificar um novo tipo de relação com os Estados Unidos", sem renunciar "aos princípios da revolução e do socialismo", disse no primeiro dia do oitavo congresso do Partido Comunista Cubano (PCC, único).

Em seu último grande discurso, dirigido ao novo governo democrata de Joe Biden nos Estados Unidos, Castro acrescentou que não se pode exigir de Cuba renunciar "à autodeterminação dos povos", um princípio da sua "política externa, comprometida com as causas justas" e com "o histórico apoio a países irmãos", destacou em alusão à Venezuela, entre outras nações.

Raúl Castro foi coautor, em 2014, o degelo entre os dois países ao lado do então presidente americano Barack Obama, que pôs fim a meio século de forte confronto e reativou as relações diplomáticas, rompidas desde 1961 e restabelecidas em 2015.

No entanto, o republicano Donald Trump desmantelou boa parte dos avanços entre os dois países, e implementou um duro reforço ao embargo vigente desde 1962.

Ao apresentar seu Relatório Central ao Congresso, Castro ratificou sua vontade anunciada de deixar todo cargo de direção desta organização onde, assegurou, permanecerá como um simples militante até o dia da sua morte.

"Termina a minha tarefa como primeiro secretário (...) com a satisfação do dever cumprido e com a confiança no futuro da pátria, com a convicção meditada de não aceitar propostas para me manter nos órgãos superiores da organização partidária", destacou.

Em meio aos aplausos dos 300 delegados presentes ao evento, Castro, próximo dos 90 anos, assegurou que nada o "obriga a esta decisão".

"Acredito fervorosamente na força e no valor do exemplo e na compreensão dos meus compatriotas", acrescentou.

A saída de Raúl Castro também marca a aposentadoria de outros membros do partido que fizeram parte do grupo de combatentes históricos que venceram a revolução em 1959 e que permaneceram até agora na direção do PCC.

Sua saída deve ocorrer durante o congresso, que dará passagem a uma nova geração, liderada pelo presidente Miguel Díaz-Canel, de 60 anos.

cb/lp/mls/mvv