Racha no DEM leva Rodrigo Maia para Lula e ACM Neto para Bolsonaro

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Brazil's Lower House President Rodrigo Maia cries during a session to elect the new Brazil's Lower House president in the plenary of the House of Representatives in Brasilia Brazil, February 1, 2021. REUTERS/Adriano Machado
O deputado Rodrigo Maia. Foto: Adriano Machado/Reuters

O DEM anunciou a expulsão de Rodrigo Maia após a troca de farpas do deputado fluminense com o presidente da legenda, ACM Neto.

Pode parecer fuxico de bastidores, mas o racha, agora evidente e incontornável, pode indicar caminhos opostos entre seus protagonistas em direção a 2022.

Maia e ACM Neto não se bicavam desde a eleição para o comando da Câmara. Maia tentava, sem sucesso, se reeleger.

No posto, tinha se tornado um importante contraponto ao governo Bolsonaro, em que pesem as críticas pela profusão de notas de repúdio, que literalmente não saíam do papel, contra as barbeiragens do presidente.

Com apoio de parte do próprio DEM, Bolsonaro conseguiu emplacar um aliado, Arthur Lira (PP-AL), na presidência da Casa. Lá, ele tem mandado para o espaço os inúmeros pedidos de impeachment contra Bolsonaro e está longe de fazer qualquer contraponto à pauta de costumes do governo.

Maia já disse que ACM Neto, que nos bastidores ajudou a rifá-lo, é o candidato a vice perfeito de Bolsonaro para 2022.

A conferir.

Fora do DEM, Rodrigo Maia perde uma espécie de âncora para dar sequência a um movimento ensaiado e, a essa altura, não tão surpreendente: a aproximação com o campo lulista.

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O DEM sempre foi uma pedra no sapato nos governos petistas. Maia, um dos mais promissores quadros da legenda, chegou a acusar o PT de rasgar a Constituição em seu voto até aqui de mágoa pelo impeachment de Dilma Rousseff em 2016.

O resto é história. Dilma caiu, Michel Temer assumiu, Maia tomou a cadeira de Eduardo Cunha (a quem homenageou em seu voto), o país rachou, com Supremo, com tudo, e nas brechas cresceu o cipoal do bolsonarismo que hoje estrangula quem antes se estapeava.

O inimigo agora é outro, como diria um cineasta igualmente desiludido. E os antigos opostos hoje se atraem.

Segundo a colunista do jornal O Globo Malu Gaspar, Maia teve uma conversa com Lula, semana passada, na sede da prefeitura do Rio, e se ofereceu para ajudar na elaboração do programa de governo petista.

O que era impensável até pouquíssimo tempo hoje é uma alternativa plausível. Lula tem votos mas não tem a confiança do mercado e de setores da sociedade refratários ao PT. Maia tem essas pontes. Mas não tem votos.

Seu futuro político seria incerto caso queira entrar em 2022 em alguma disputa majoritária. No Rio, já largam na frente dele o atual governador, Cláudio Castro, que terá apoio da família Bolsonaro, e Marcelo Freixo, que acaba de trocar o PSOL pelo PSB justamente pensando na ampliação de uma chamada frente ampla pelo governo fluminense.

O encontro com Lula acontece no momento em que o ex-presidente busca, para 2022, um novo José Alencar para chamar de vice.

Maia está na pista.

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