Colunista do programa de Sônia Abrão faz comentário racista sobre Paulo André

Colunista do programa de Sônia Abrão fez comentário racista ao vivo (foto: reprodução / Twitter @whomath)
Colunista do programa de Sônia Abrão fez comentário racista ao vivo (foto: reprodução / Twitter @whomath)

Resumo da Notícia:

  • O colunista do programa vespertino critiou as tranças de Paulo André, visual que ele adotou após o 'BBB 22'

  • Sônia Abrão riu do comentário feito pelo colega de palco e não o repreendeu sobre a fala

  • Tranças e penteados afro são mais que apenas um estilo e remetem à ancestralidade do povo negro

Após colecionar pérolas e opiniões controversas durante todo o “Big Brother Brasil 22”, o “A Tarde É Sua” desta segunda-feira (2) contou com um comentário racista sobre Paulo André, vice-campeão do programa que acabou na última semana, feito por Felipeh Campos.

Exibindo para os espectadores os looks escolhidos por famosos para comparecer ao Baile da Vogue, que aconteceu no Rio de Janeiro, o colunista fez um comentário racista sobre o atleta que nada tinha a ver com a roupa que ele escolheu para o evento, uma jaqueta Balmain de 10kg vinda direto das passarelas da Semana de Moda de Paris.

Com a foto do atleta no vídeo, o homem branco afirmou: “O Paulo André não curti muito o cabelo. Tenho um monte de cadarço em casa e não gostei (risos). Eu não gostei (risos).” No comando do programa, Sônia Abrão achou graça do comentário racista e gargalhou.

Campos, que é ex-dublador do “Qual É A Música”, foi repreendido pelo jornalista Thiago Rocha: “Achei que ele está muito bem, Felipeh.” Valdmir Alves, que também estava na mesa, não manifestou reação. “Poderia ter ficado sem as tranças, estava tão bonito sem”, falou o comentarista que foi completado pela apresentadora: “Achei que ele estava lindo” em sinal de negativa sobre o look do atleta.

Em outro momento, ele comentou que o velocista, um homem negro, deveria sexualizar seu corpo. “Ele é um homem deslumbrante, modelo internacional, aqueles que fazem principalmente de cueca, que fazem aquelas campanhas de cueca sensacionais”, sugeriu. Sônia o repreendeu pela peça da campanha, não pelo contexto: “Só fala de cueca e sunga.”

Racismo?

É considerado racista fazer comentários, principalmente pejorativos, sobre cabelos de pessoas negras. Isso porque o cabelo crespo foi - e ainda é - considerado ‘ruim’ ou inferior por grande parte da população desde o século XVI, quando os primeiros negros foram escravizados.

A carga pejorativa segue quando pessoas negras, empoderadas de sua história e raízes, refletem no cabelo sua ancestralidade: África. Tranças e penteados ‘afro’ podem representar o estado civil da pessoa, a religião e a identidade étnica.

<p>Paulo André Camilo (Foto: Roberto Filho/Brazil News)</p>
Paulo André Camilo (Foto: Roberto Filho/Brazil News

“A trança ocupa um papel fundamental neste processo, pois é o primeiro penteado realizado na criança negra, é o penteado, que mais reafirma os valores e costumes da população negra, pois trata o cabelo como uma continuação, afirmando o processo africano da circularidade”, comenta Aline Ferraz Clemente em artigo sobre o tema.

As tranças fazem parte da história do povo negro, assim como os penteados black power ou os cachos volumosos. Por isso, por representar mais que um ‘coque’ ou uma ‘trança’, comentários depreciativos falam mais sobre quem os usa do que sobre os fios.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos