Racismo no Rio: Empresa demite funcionário que acusou negro de roubar a própria bicicleta

·2 minuto de leitura
Casal branco foi acusado de racismo após insinuar que jovem negro havia roubado bicicleta (Foto: Reprodução)
Casal branco foi acusado de racismo após insinuar que jovem negro havia roubado bicicleta (Foto: Reprodução)
  • Empresa demitiu Tomás Oliveira após funcionário ser acusado de racismo

  • O homem e a namorada acusaram um jovem negro de ter roubado uma bicicleta

  • Papel Craft não se posicionou oficialmente, mas respondeu comentários questionando o que fariam em relação ao funcionário

A empresa Papel Craft demitiu Tomás Oliveira, homem branco que acusou o Matheus Ribeiro, um jovem negro, de roubar a própria bicicleta. O caso aconteceu no bairro do Leblon, no Rio de Janeiro, e foi revelado nas redes sociais por Matheus, que gravou o momento em que foi abordado.

Após o caso viralizar, a empresa passou a ser cobrada para tomar uma posição quanto ao assunto. Ao responder os seguidores, a Papel Craft afirmou que já havia desligado o homem envolvido no caso de racismo. No entanto, não houve um posicionamento oficial no perfil da empresa. 

Leia também:

Matheus Ribeiro, que é instrutor de surfe, registrou um boletim de ocorrência contra o casal. Ele foi abordado por eles no último dia 12, e foi questionado se havia roubado a bicicleta elétrica que estava usando. Na filmagem, Tomás Oliveira se defendeu alegando que não havia acusado Matheus.

Relembre do caso de racismo no Leblon

No último Dia dos Namorados (12) um jovem negro foi abordado por um casal de brancos que o acusou de ter roubado a bicicleta elétrica usada por ele. Matheus Ribeiro aguardava a namorada em frente ao Shopping Leblon, no Rio de Janeiro, quando foi surpreendido pela frase “você pegou essa bicicleta ali agora, não foi? É, sim, essa bicicleta é minha”, disse a jovem branca a Matheus.

No Instagram, o rapaz negro descreveu o fato. Segundo ele, foi necessário mostrar fotos antigas com o item e também a chave do cadeado para que o casal tivesse a comprovação de que a bicicleta elétrica era sua.

“Porém, eu só consegui provar que a bicicleta é minha quando - sem a minha autorização - o ‘lindo’ rapaz pegou o cadeado da minha bicicleta e tentou abrir. Eles não conseguem entender como você está ali sem ter roubado deles, não importa o quanto você prove”, relata.

Matheus conta que o rapaz branco se frustrou quando não conseguiu abrir o cadeado com a chave deles, e disse que em momento algum o acusou, apenas “estava perguntando". Indignado, o dono da bicicleta ironiza a situação. “Um preto numa bike elétrica? No Leblon? Ah, só podia ser! ‘Acabei de perder a minha, foi ele’.", salienta.

Matheus destaca que esse tipo de atitude é a prova de um comportamento comum dos racistas. Segundo o jovem, por mais que a moça branca não tivesse a menor ideia de quem furtou a bicicleta dela, a primeira coisa que pensou é que algum negro tinha levado.

“E para você, que é ‘pretin’ igual eu, seja cuidadoso ao andar em lugares assim. Eles [brancos] vão te culpar, para depois verem o que aconteceu”, aconselha o jovem.

Nosso objetivo é criar um lugar seguro e atraente onde usuários possam se conectar uns com os outros baseados em interesses e paixões. Para melhorar a experiência de participantes da comunidade, estamos suspendendo temporariamente os comentários de artigos